29 julho 2008

Até que enfim !


Como a minha preparação académica se fez sempre à sombra da História das Ideias, mais importante que qualquer enunciado teórico é o confronto das ideias (e sua historicidade) à vida dos homens. As vítimas da guilhotina, dos afogamentos e da Vendeia poderiam jamais ter lido Rousseau, mas conheciam os escritos de Marat e provaram os decretos de Robespierre. Este livro, dissipado o mito, oferece pela primeira vez a panorâmica da atmosfera e do quadro cultural que permitiram que o nascimento dos Direitos do Homem e da nova soberania se fizesse sobre o signo da mais desapiedada violência programática. Ali nada foi produto da paixão, celebrada pela heróica lenda hugoniana. Aquilo foi tudo decidido, com "estadística", intendência e guerra psicológica. O Terror estava infuso no movimento e manifestou-se desde a tarde de 14 de Julho, quando o "agit-prop" irrompeu pela Bastilha e degolou, com requistes de Talibã, o seu governador. Objectará muito ignorante que se trata de obra comprometida. Mas não, ali estão Jean Tulard, Pierre Chaunu, Jean Sévillia, Le Roy Ladurie, ou seja, o que de melhor a França de hoje pode exibir.


Marche de la Garde Consulaire

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