14 junho 2008

Um rei diferente


Dizem aqueles que com ele privaram que é a antítese do monarca esfígico, distante e quase-divino que a tradição do budismo theravada, com forte dosagem de elementos bramânicos, impõe. Desde a minha visita a Angkor não mais me saiu da memória o sorriso gélido de Jayavarman VII, um quase esgar de quem , convivendo com os deuses, sem jamais pisar a terra, se impunha aos seus como o representante de Shiva na terra. Nas pisadas desse rei-revolucionário, a história reservou aos cambojanos um outro sorriso, mais letal e sanguinário, que quis fazer regredir o seu povo aos confins de uma antiguidade mítica em nome do socialismo: Pol Pot. O actual rei do Camboja, Norodom Sihamoni, esteta e reputado conhecedor de dança clássica khmer, parece negar essa ancestralidade. Não é guerreiro nem político e é de uma humildade quase chocante para os seus concidadãos, durante tanto tempo submetidos aos mais extremos sacrifícios. Dir-se-ia que, com Sihamoni, o que de melhor há no budismo - compassividade, tolerância e paciência, a "Santa Paciência" que também é valor cristão - se coroam com a mansidão de um monarca que está a virar uma página na história dessa nação martirizada.




Camboja: Hino do Rei

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