28 junho 2008

Nos 90 anos do Madiba


Também fui dos que suspeitaram da integridade de Mandela. Via-o - induzido pelo trágico catálogo de tiranetes, antropófagos e bandidos que fizeram a história recente da África dita independente - como um homem prenhe de vingança, mandarete do comunismo e terrorista. Afinal, enganei-me. Nelson Mandela é, apenas, a excepção, daquelas excepções que redimem o conjunto e permitem a esperança. Nelson Mandela é um grande homem, como foi grande como Estadista e como político. É, sem dúvida, um dos maiores vultos da história contemporânea, muitíssimo superior a esses outros santos laicos que foram JFK, Luther King e Gandhi, pois sobre esses pesam dúvidas bem pouco simpáticas. Tenho para mim que quem vê um indivíduo vê-lhe o espírito. Nelson Mandela tresanda a respeitabilidade e possui aqueles traços de fineza aristocrática, segurança e equilibrio que só os homens superiores conseguem preservar. O Madiba salvou um país, libertou o seu povo e estendeu a mão aos brancos, que foram na África perdida como o sal que permitia a estabilidade e a riqueza. Retirem os brancos e os asiáticos de África - sinónimos de vida citadina, do funcionamento das instituições económicas e garantes do Estado - e a elite negra de colarinhos brancos será esmagada pelo proletariado do caniço. Mandela operou a transição. Perante o seu exemplo, tenho esperança que aqueles que com ele trabalharam, com o Madiba algo tenham aprendido.

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