28 maio 2008

O equívoco Baptista-Bastos



(Baptista-Bastos a respeito de Sócrates, no DN)

Não ataco Baptista-Bastos, pois tenho pelo homem - que está nos antípodas de tudo o que penso e defendo - um grande respeito. Foi ele [Baptista-Bastos] que deu a mão, visitou e esteve à cabeceira de um "fascista" (António Maria Zorro) nos derradeiros meses da misteriosa e implacável doença prolongada que acabou por vitimar um grande amigo meu. Baptista-Bastos pode ter todos os defeitos de arrogância, pesporrência, irritância, monomania e ligeireza que se lhe queiram atribuir, mas naqueles meses foi o anjo da guarda, o amigo presente, o colega de que António Maria precisava para entreter os dias do inverno de uma vida que se finava. Ao lado dele não estiveram os "católicos", os "monárquicos", os "nacionalistas", os "Mocidade Portuguesa", os ex-SNI, ex-ANI e ex-ANP. Foi um comunista. Por isso, onde quer que se mastiguem comentários sobre BB, saio em sua defesa e mando calar os poltrões.

Baptista-Bastos é um crente. Acredita no socialismo como muitos acreditam no paraíso, no derradeiro julgamento e no inferno. Baptista-Bastos já não muda, e ficar-lhe-ia muito mal sair a terreiro para defender tudo aquilo em que não acredita. Porém, a sua inteligência, a sua implacável verve crítica, a sua chama irrequieta apaga-se perante o comunismo, o maior flagelo do século XX. Se BB se libertasse da coerência, se prescindisse dos artigos de fé que o guiam, talvez se perdesse um polemista, mas ganhava a verdade.

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