22 março 2008

Declaração absolutamente conservadora



Sou pelo ensino "autoritário", contra as metodologias de infantilização dos adolescentes e de responsabilização de crianças, avesso ao convivialismo e partilha de soberania entre quem ensina e deve mandar e quem aprende e deve obedecer; sou absolutamente adepto da Escola entendida como fonte de apredizagem e não como armazém de díscolos, pela Escola como tarimba de cidadania, respeito e autoridade; sou pela Escola uniformizada mas não uniformizadora, sem distinções de posse e origem social na separação entre aqueles que a inteligência prepara para dirigir e aqueles aos quais caberão tarefas menos responsáveis; sou pela Escola que não incuta medo, mas não prepare nem parasitas nem ralé; sou pela Escola que saiba, com justiça, afastar do caminho da Universidade quem a ela não pode aspirar. Depois de ver as imagens que transcrevo, deixo, definitivamente entregue ao seu triste destino o país selvagem, raleficado, insubmisso, inacessível ao bom senso em que se transformou o Portugal portugalinho, de Veiga Simão e Roberto Carneiro a Maria de Lurdes qualquer-coisa. Aqui, onde estou, os alunos da universidade levantam-se quando o professor sai ou entra, depositam os telemóveis desligados num cesto existente à porta das salas de aula, pedem desculpas quando chegam 2 minutos atrasados, levantam o dedo para pedir para ir à casa de banho, não comem, não dormem, não namoram nem lançam bilhetes uns aos outros. Estes alunos estudam 8 horas e dedicam mais quatro ou cinco horas aos trabalhos escolares caseiros. Aqui vive uma juventude livre, sorridente e aplicada que todos os dias agradece aos professores o esforço e as canseiras de uma carreira mal remunerada mas quase venerada.

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