03 março 2008

A bagunça e o porrete


Chegam-me notícias alarmantes sobre a espiral de violência em que lentamente parece estar a mergulhar Portugal. É consabido o facto da violência e o crime organizado florescerem em sociedades empobrecidas. O colapso do Estado, da ordem e da lei - tantas são as manifestações dessa agonia - determinará a prazo, como sempre, a dilemática escolha entre menos liberdade e mais segurança ou a aceitação da violência como dado corriqueiro de uma democracia latina, irresponsável e exposta às investidas de associações criminosas. Estamos a colher, maduros, os frutos de décadas de uma anti-cultura cívica que instilou nos portugueses a falsa ideia que Lei, Ordem e Autoridade são sinónimos de repressão, ditadura e privação de liberdade. Nada mais errado, pois a democracia não vive sem paz nas ruas. Quando morre a segurança e os cidadãos se enchem de medos, não confiam nos tribunais nem nas forças da ordem, nem no governo e nos valores em que assenta o Estado de Direito, está aberto o caminho para a aceitação de regimes de força. Entre nós, sempre oscilando entre regimes da bagunça e regimes do porrete, a escolha acontecerá mais cedo do que pensamos.

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