28 fevereiro 2008

Sinistra síntese


Estão a ver uma mistura de Pinto da Costa, Pinto Balsemão, Belmiro de Azevedo e Alberto João Jardim habitando a mesma pessoa ? Pois, assim é Taksim Shinawatra, ex-primeiro ministro da Tailândia, hoje regressado em ombros a Banguecoque: o poder da plutocracia, a demagogia mais impúdica, a vontade de horizontalizar todos os poderes simbólicos que não pode comprar com a imensa fortuna que detém, uma mão no futebol, outra na comunicação social, uma riqueza a perder de vista que lhe permite comprar políticos corruptíveis e um eleitorado campesino habilmente manipulado pelos seus caciques; a faculdade de usar e abusar das necessidades das classes baixas, usando-as como instrumento de subversão contra a classe média educada e urbana, da aristocracia detentora da legitimidade da tradição e o exército, sustentáculos da Monarquia. A Tailândia estará, pelos meus cálculos, a seis meses ou um ano de grandes e dramáticos acontecimentos. A eles prestaremos toda a atenção logo que Taksim se dispuser aplicar a vingança sobre aqueles que do poder o afastaram há dois anos. A gravidade da situação permite-me vaticinar um de dois cenários para o futuro deste país: o início e uma revolução política e social, com Taksim vitorioso, consequente diminuição do poder e influência de um Rei amado e respeitado como um deus, ou o vil fim do temerário aventureiro. O poder do dinheiro é tão nocivo como o de um déspota desvairado, mas num tempo em que prevalece a derrancada adoração pelos aventureiros do dinheiro, Taksim é um herói, sobretudo para aqueles que, nada tendo, se acostumaram a projectar a felicidade naqueles que desprezam quem o não tem. Assim é em Portugal, assim é na Tailândia. Vivemos no preamar da plutocracia.

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