12 fevereiro 2008

Selvajaria, crime e vandalismo


À semelhança do Eurico de Barros também me interroguei se haveria algum registo sonoro da voz do Rei assassinado: "Como seria a sua voz? Como falaria D. Carlos? Perguntei a um amigo que sabe destas coisas de arquivos. Segundo ele, havia na antiga Emissora Nacional gravações da voz de D. Carlos. Foram destruídas depois do 25 de Abril, juntamente com muitas horas de programas.

Não foi apenas em Bamyan que se consumiu património. Aqui também se cometeram atrocidades irreparáveis. Lembro que o facciosismo foi letra activa nos meses em que os desvairados purificadores estiveram prestes a dominar Portugal: a queima da embaixada de Espanha, em 1975, a destruição pelo fogo de grande parte da história editorial do Portugal contemporâneo às mãos de pequenos Pol Pot. Onde estão as colecções do SNI/SPN, empacotadas umas, atiradas às chamas outras ? Onde estão as bibliotecas da Mocidade Portuguesa, da Legião e da sede da União Nacional ? E os acervos biblioteconómicos das Casas do Povo, dos Grémios e das Corporações ? Sei que tais crimes merecem o benevolente crivo de "coisas sem importância", mas quando se queima um livro abre-se a porta para queimar tudo o mais. Não podia deixar passar esta oportunidade para lembrar a terrível depredação executada em 1975 contra a Biblioteca da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que resultou na destruição de muitas centenas de obras da literatura jurídica portuguesa - completas colecções de leis do século XVI - e da qual foi mandante uma figura do maior relevo da cena política portuguesa. Quem seria ?

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