11 fevereiro 2008

Resistirá Timor aos timorenses ?


A ilha foi sempre caótica: levantamentos contra as autoridades coloniais, a última da qual reprimida com recurso a metralhadoras (1912), um crisól de lutas intestinas inter-tribais e inter-clãs com devastadores efeitos demográficos, completa anarquia durante os brutais anos da ocupação japonesa (1942-45), uma cruenta guerra civil (1975) seguida pelos massacres e subjugação indonésia durante um quarto de século. Quando os timorenses, finalmente, tiveram oportunidade de erigir o seu Estado, o mundo apercebeu-se que não tinham nem habilidade, nem competência nem interesse em sarar as feridas do passado. Aquilo tem sido uma vergonha. As Nações Unidas, Portugal e outros dadores ali têm mantido centos e milhares de assessores, mas os timorenses regrediram de novo ao estádio de caçadores de homens e cabeças. Ali não há nem Estado, nem governo, nem autoridade nem leis e a fixação do presidente no seu palácio, dos deputados no parlamento, dos tribunais e demais instituições postiças foi substituída pelo simples poder repressivo das forças estrangeiras ali estacionadas. Sei que dói dizê-lo, mas Timor precisava de 30, 40 ou 50 anos de boa governação, desenvolvimento humano e obras para poder ter direito a um hino, a uma bandeira e a uma constituição; o mesmo é dizer que Timor devia ter permanecido português !
Temo que a independência - ou a ficção dela - não seja por muito mais tempo tolerada pela Indonésia e pela Austrália, que ali não quiseram em 1975 uma base comunista e que não quererão agora um perigoso vazio de poder.

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