03 fevereiro 2008

Quando um escritor se despede



Creio estarmos a assistir aos últimos dias de um grande nome da blogosfera. Tenho seguido, com o coração nas mãos, o desfilar de textos daquele que tem sido ao longo dos últimos dois anos uma das mais lúcidas, inteligentes e cultas presenças deste universo onde a liberdade ainda pode respirar. O nosso Jansenista cita-o hoje a propósito de uma peça-ensaio sobre o crepúsculo de dois gigantes, daqueles que já não medram no mundo de plástico e vibra óptica: Boxer e Maclean. Ontem, por acaso, cruzei-me no aeroporto de Suvarnabhumi com um diplomata em trânsito para o arquipélago nipónico. Ali estivemos hora e meia a curtir lembranças de Lisboa, quando na corrente da conversa caiu como uma bomba a revelação: "o nosso caro "JMPM" está de partida para um novo posto, diz-se que no Médio Oriente". Agora compreendo a alusão ao Lawrence e o tom melancólico das últimas crónicas e o motivo pelo qual, quando aqui o encontrei há meses, tão entusiasmado andava com a aprendizagem da língua do Profeta e com uma edição quase pergaminhada do Kitab al-Aghani comprada num alfarrabista do Cairo.


Ahmad al Arabi

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