16 fevereiro 2008

A mansão jubilosa da natureza


Sem o frio, o vento e a geada, longe de tudo o que a distante Europa da 3ª velocidade me inspira, sem ter de ver as carrancas crispadas de homens, mulheres e crianças prenhes de projectos, sem ter de me confrontar com a rabujice, o rosnar entre-dentes, a maledicência e a frustraçãozinha de pessoas mal-amadas, sem ter de me indignar com a imprensa afoita de escândalos pequeninos, sem Menezes, Louçãs e outras assombrações, aqui estou na praia que veêm, de limonada na mão, refastelado e indiferente à passagem das horas, que aqui se escoam com uma majestade de paraíso. Se pudesse, suspendia o relógio, queimava todas as pontes e deixava-me ao abandono dos trópicos, afogado pela natureza. Aqui não falo. Não há com quem possa falar. Aqui não leio. Um livro soa a falso, tamanha é a magreza do estro dos mais inspirados poetas perante a imponência do meio. Aqui, se medito, perco-me. Prefiro fechar os olhos, sentir a brisa e o cantar das ondas suaves que à praia vêm morrer. Aqui, Liberdade, trato-te pelo nome.


Bach: Toccata & Fuga em D menor

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