05 fevereiro 2008

Está quase a cair ?


Aqui há dois dias disse-o com reserva. Agora, outra voz, mais esclarecida, esclarecedora e responsável repete-o: se o regime não arrepia caminho e não promove o aprofundamento da democracia, do Estado de Direito, a selecção dos mais capazes e probos, está destinado ao colapso. Digo-o sem vacilações: prezo a liberdade, os meus direitos individuais e os dos meus concidadãos para não advogar soluções que apenas repetiriam erros tremendos do passado. Não quero o meu país governado por ditadorzinhos, nem a minha casa devassada por polícias broncos, nem os jornais submetidos a censura, nem cargas policiais, nem cadeias cheias, nem tribunais políticos, nem ajustes de contas. Amo a liberdade e penso não haver motivo para a suprimir, mas também não quero que Portugal continue a ser a vergonha da Europa, com as suas bolsas de pobreza, subdesenvolvimento, analfabetismo, corrupção, favoritismo e essa impatente, quase abjecta, classe política sem classe alguma que teima em roubar-nos o futuro e lançar-nos no abismo. Dizem que a ave de Minerva levanta voo ao anoitecer. Neste crepúsculo de regime, que se levante a esperança, companheira da sabedoria, do bom-senso e da liberdade.


Se sinto a revolta crescente daqueles que comigo contactam, eu próprio começo a sentir que a minha capacidade de resistência psicológica a tanta desvergonha, mantendo sempre uma posição institucional e de confiança no sistema que a III República instaurou, vai enfraquecendo todos os dias.
Já fui convidado para encabeçar um movimento de indignação contra este estado de coisas e tenho resistido.
Mas a explosão social está a chegar. Vão ocorrer movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa.
É óbvio que não será pela acção militar que tal acontecerá, não só porque não resolveria o problema mas também porque o enquadramento da UE não o aceitaria; não haverá mais cardeais e generais para resolver este tipo de questões. Isso é um passado enterrado. Tem de ser o próprio sistema político e social a tomar as medidas correctivas para diminuir os crescentes focos de indignação e revolta.
Os sintomas são iguais aos que aconteceram no final da Monarquia e da I República, sendo bom que os responsáveis não olhem para o lado, já que, quando as grandes explosões sociais acontecem, ninguém sabe como acabam. E as más experiências de Portugal devem ser uma vacina para evitar erros semelhantes na actualidade.
É espantosa a reacção ofendida dos responsáveis políticos quando alguém denuncia a corrupção, sendo evidente que a falta de vergonha deve ser provada; e se olhassem para dentro dos partidos e começassem a fazer a separação entre o trigo e o joio? Seria um bom princípio!

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