26 fevereiro 2008

Como é fascinante a maldade humana


Dizem tê-la descoberto - ou quase - feita em pedaços numa mina carregada de preciosidades. Um dos tesouros mais discutidos e cobiçados pelos caçadores de fortunas, a Sala de Âmbar, não será das mais raras nem das tais insubstituíveis peças sem as quais a história de uma civilização apresentaria triste incompletude. A Sala de Âmbar é apenas um dos fragmentos da história infame do roubo, do vandalismo e da criminosa e inimputável responsabilidade de governos e Estados que ficam sempre por receber pena adequada ao mal irreparável que causam, não sobre um indivíduo ou um grupo social específico, mas sobre todo o património da humanidade. Os nazis roubaram com desvairada lubricidade tudo em que puderam aferrar as garras, mas os russos também cometeram roubos e destruições de incalculável magnitude invocando o direito - estranho direito esse - da legitimidade da represália. Por seu turno, os americanos que pela Europa andaram nas suas aventuras bélicas, regressaram de malas carregadas com tesouros pilhados na Itália, na Alemanha e até em países que libertaram da opressão. O recente saque do Museu de Bagdade - onde se perdeu numa tarde a memória de 3000 anos de história do Médio Oriente - demonstra que o monopólio do odioso se reparte em proporções iguais por todos. É o mistério do mal e essa prodigiosa capacidade de destruir que fazem da nossa espécie um monumento ao absurdo.

Sem comentários: