04 fevereiro 2008

Ainda a evocação do Rei Mártir

De um amigo, o relato veraz da manifestação monárquica da passada semana

"No passado dia 1 de Fevereiro consegui libertar-me de vários compromissos e apanhei, sozinho, um comboio para Lisboa. Chegou in- extremis às 16h38 a Santa Apolónia. Não escondo que estava espectante para ver a dimensão do evento no Terreiro do Paço. Junto à placa evocativa, um pequeno degrau fazia o lugar do palco merecido! Não houve fanfarra. Não houve discursos inflamados, apenas um belo sermão feito por um padre para mim desconhecido. Dois operadores de câmara filmavam dispersamente, quase despropositadamente!. Poucos fotógrafos. O Jornal de Notícias iria dizer que estavam "500 pessoas". Eu quase juro que chegavam às 2000. Três "voluntários" do corpo de bombeiros da CMLisboa entoaram o minuto de silêncio. Depois, uma fortíssima salva de palmas, que durou largos minutos. Gritou-se "Viva o REI". Na Igreja de S. Vicente encontrei vários conhecidos. Do "velhinho PPM" (cujo um dos fundadores foi o meu saudoso primo João Camossa) a outros ligados à causa portuguesa. Gostei de voltar a falar com o Gonçalo Ribeiro Telles. Conheci o muito afável Rui Ramos. A catedral estava super-lotada. Nos jornais nada referiram. A cerimónia foi simples, digna, com cortejo encabeçado pelas Ordens de Malta e do Santo Sepulcro. A homilia do cardeal patriarca foi sincera, apaziguadora, evocativa na sua missão cristã. O dia acabou e a minha viagem de regresso foi ocupada por um sentimento de satisfação e de realização. Na comunicação social do dia seguinte, o evento aconteceu como se não tivesse acontecido. Deram antes destaque à "homenagem" feita em Castro Verde, pela autarquia, ao Costa regicida.Vivi o evento com uma certeza: o censo da maioria não esmaga a minha convicção. A "maioria" – situacionista – está-se a borrifar para os valores monárquicos, mas de igual modo para o "ideal repúblicano". Não querem saber. Não sabem ou estão ocupados a existir. Como eu digo, para o futuro quanto pior melhor. Se calhar, o pior que vier a acontecer a este povo abastardado será o melhor para o devir."

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