08 janeiro 2008

Primeiras águas

Quem tem medo desta criança ?

As autoridades comunistas perderam a jogada. Com a lenta autonomização da sociedade civil chinesa face a um Estado que se quis total e totalitário, que pôs e dispôs da vida de milhões, que humilhou, matou e encarcerou em nome da quimera de um Homem Novo que era, afinal, um escravo sem consciência cujo valor ético mais expressivo se limitava à luta pela sobrevivência, os chineses estaõ a regressar às fonte primordiais da sua civilização. Quanto aos russos, assentaram pesado epitáfio sobre o jazigo do sovietismo e reintroduziram a capelania ortodoxa no Exército da Federação. O mundo contemporâneo perdeu, decididamente, o gosto pela neofilia e prefere o antigo ao incerto. Se a globalização é um facto inelutável, a ideologia mundialista, esculpida pelas toscas mãos do poder do dinheiro, constitui um perigo e incentivo a reacções imprevisíveis. O primeiro surto mundialista terminou em 1929 com a crise da Wall Street, mas trouxe consigo despostismos concentracionários argamassados pela frustração dos marginalizados da roda da riqueza e ressuscitou, com atavios pseudo-científicos, as mais deploráveis facetas da alma humana. As pessoas têm medo do incerto e os homens comuns querem certezas que lhes alimentem a segurança e equilíbrio psicológico. A velha Europa regressará, estou certo, à sua tradição e equilíbrio. Este passa, necessariamente, pela monarquia. Se os povos mais educados e civicamente mais maduros as mantiveram - argumento da excelência da monarquia sobre a república - chegou a hora dos portugueses regressarem às fontes históricas da sua liberdade e dignidade que a república não pode, como se vê, restituir.


Ich bin der Welt abhanden gekommen ( Mahler)

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