19 janeiro 2008

A história de um desastre


Não há memória análoga de povo que tivesse atingido o zénite da grandeza - grandeza nas artes, no poderio militar e diplomático, pujança económica e capacidade para impor o seu modelo de civilização a todo o sudeste-asiático - e depois quase se eclipsasse na voragem odiosa da violência, da pobreza extrema e do retorno a formas primitivas de organização social. É esta a história do Camboja, dos seus reis-deuses, dos seus templos-montanha, dos seus déspotas iluminados ora pelo hinduísmo, ora pelo budismo, e que esperou pelos anos 70 para assistir à mais radical e tenebrosa experiência totalitária do século XX. Quando, por duas vezes visitei Angkhor, com Malraux e George Coedès na bagagem, senti um arrepio ao tentar decifrar o sorriso de Jayavarman VII no templo de Bayon. Ali estava encerrada toda uma tese e o anúncio da escolha de um sendeiro que levaria a Pol Pot. A história dos povos obedece a tendências e escolhas que depois de feitas não mais os largam. De David Chandler, um texto a não perder.

Oh, Phnom Penh

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