01 janeiro 2008

Dinastias asiáticas


Espantam-se alguns, menos informados - e logo vem a lenga-lenga que só não aplicam a uma família que eu cá sei e que aí por Portugal chegou a ter pai, mãe e filho ocupando relevantes postos ! - que a escolha de Bilawal Buttho para dirigir o Partido Popular é uma clara infracção à democracia. Lembro que Sukarno da Indonésia, já depois de morto e enterrado, teve a filha na presidência, que Marcos teve a mulher Imelda como vice-presidente, que a Nobel Aung San Suu Kyi é filha do general Aung San, um dos artífices da independência birmanesa e que a Índia teve o pai Nehru, a filha Indira e o neto Rajiv no lugar de primeiro-ministro. A Coreia do Norte da camarilha Il não é, pois, excepção num continente onde o Estado foi construído de cima para baixo por influentes famílias profissionais da política e onde os partidos políticos não emanam da sociedade civil mas de arranjos mais ou menos complexos onde factores étnicos, religiosos e de casta reclamam primazia. Diferentes são, porém, as "dinastias" de políticos ocidentais, as mais das vezes de extracção bem mais pé-rapado e, quase sempre, móbil de enriquecimento parasitário.

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