03 janeiro 2008

Departamento de feiticeiros e mágicos


No antigo Sião até 1865 funcionava, com direito a fatia do orçamento, um Departamento de Feiticeiros e Mágicos. Na China imperial, havia um Tribunal das Matemáticas e no Japão pré-Meiji um Departamento de Lanternas. Tudo isto cheira a quinquilharia de antiquário, mas, mutatis mutandis, mantém-se entre nós. Já não há harem, mas há socratetes, essas senhoras que estão na governança para mostrar que o governo tem pelo gineceu o maior dos respeitos; já não há arúspices, astrólogos, quiromantes, oráculos e demais profissionais de magia dourada, branca e negra, nem bonecos e alfinetes. Contudo, se atentarmos, os ministros é a isso que se dedicam: artes ocultas. Sigo, atrasado e distante, as pequenas convulsões e flatulências da vida política, e para cada questão - pequena como a borra do café que fica no canto da chávena - há um ministro a falar, a dar entrevistas, há jornais, televisões a repetir, trepetir a mesma insubstância. Dir-se-ia que Portugal vive ao ritmo do velho Sião, da Cidade Proibida ou do trono do Crisântemo. E tudo isto explica o quê ? Que perdemos o pé à realidade, que já não decidimos o que quer que seja, que em Portugal se aplica o indirect rule da Comissão, dos eurocratas e das funcionariazinhas de Bruxelas. Somos um protectorado, com régulos, reinetes e sobas dedicando-se a ... nada !

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