30 novembro 2007

Quando um Rei celebra os 80 anos


Aquele que é tratado pelo seu povo por Chao Chiwit (Senhor da Vida), o mais antigo chefe de Estado em exercício, artífice da única "Contra-Revolução" bem sucedida no século XX, detentor de poderes extra-constitucionais de natureza estritamente moral vai celebrar, dentro de dias, 80 anos de vida. Banguecoque está coberta de bandeiras, efígies e armas reais, os tailandeses preparam em cada casa - nas fachadas como no interior - verdadeiros altares votivos. Hoje assisti a um ensaio para imenso desfile de jovens de liceus, escolas técnicas, universidades e escuteiros que se prepara para o dia 5. Nos escritórios, nas estações de Metro, no hall dos estabelecimentos públicos e nas ruas, em frente de grandes retratos do soberano, livros e livros carregados de mensagens deixadas pelos passeantes. Pedi a uma amiga que me lesse os comentários deixados pela turba que sem pestanejar aguarda dez minutos, meia hora, uma hora para assinar os livros forrados com pano dourado, símbolo da realeza. De um miúdo de 10 anos, o comovedor "Meu Rei e meu Pai, fica connosco para sempre". De uma mulher do povo, de ortografia infantil e rasuras, um espantoso "Ao menos que a minha vida, que nada vale, servisse para te dar mais mil anos". O Rei está doente, os rumores correm desencontrados, mas não há um só tailandês que não sinta o dia 5 de Dezembro que se aproxima como o mais importante dia do ano. Convido os senhores presidentes a oferecerem-se à apreciação da voz do povo.



Hino Real da Tailândia

Kha Wora Phutthachao,
Ao Mano Lae Sira Kran,
Nop Phra Phumiban Bunya Direk,
Ek Baromma Chakkrin
Phra Saya Min,
Phra Yotsa Ying Yon,
Yen Sira Phrao Phra Boriban,
Phon Phra Khun Tha Raksa,
Puang Pracha Pensuk San Kho Bandan,
Phra Prasong Dai,
Chong Sarit Dang,
Wang Wora Harue Thai,
Dut Thawai Chai, Chai-Yo.

We, Your Majesty's loyal subjects,
Pay homage with deep heartfelt veneration,
To the supreme Protector of the Realm,
The mightiest of monarchs complete with transcendent virtues,
Under whose benevolent rule,
we your subjects,
Receive protection and happiness,
Prosperity and peace.
And we wish that whatsoever
Your Majesty may desire,
The same may be fulfilled.



26 novembro 2007

A vida é uma caixa de surpresas


Em plena festa das flores, o inesperado. A multidão congestionava-se em torno do caís. A princesa real discreteava com um senhor de grande porte, ria-se e pedia mais conversa. Aproximei-me. Espanto dos espantos: falavam sobre Portugal ! Era um dos nossos diplomatas, um amigo que não via deste 2004 ou 2005. Senti, pela primeira vez que aqui estou, orgulho em ser português. Ainsi va le monde.

Unanimidade sem totalitarismo


Wan jan see leang, o que quer dizer "segunda-feira amarela". Todos os tailandeses vestem camisola amarela com as armas reais em sinal de respeito para com o Rei. É a unidade sem constrangimento, a afirmação do respeito pela instituição acima dos partidos, das facções e indivíduos. A Tailândia tem destas coisas espantosas. Um povo livre, orgulhoso da sua independência, tolerante e diverso étnica e religiosamente que todas as semanas presta um belíssimo como comovente tributo de respeito à instituição que simboliza o país. Aqui não houve comunismo e o Ocidente foi filtrado. Neste dia, de fora ficam as barreiras da riqueza pessoal, a hierarquia e o poder de cada um. Do taxista ao vendedor de rua, do ministro ao capitalista da city, do professor ao general, um mar amarelo. Resta, apenas, o orgulho nacional.