28 setembro 2007

Adeus Portugal


Combustões parte amanhã para nova vida, a 15.000 km. Desejem-me sorte. Portugal fica para trás, mas tudo farei para manter esta página com a regularidade possível. A todos os amigos e críticos esta breve e sentida despedida.

Lágrima (Amália Rodrigues)

27 setembro 2007

Uma lição a reter


Pedro Santana Lopes - o "trapalhão", o "bon vivant", o "Casanova" - deu ontem uma tremenda lição a um país habituado à micro-tirania do jornalismo de Cloaca Maxima a que se reduz a generalidade dos orgãos de comunicação desta terra entregue às fúrias do futebol, dos escandaletes sexuais e das vedetinhas tontas do "comentarismo" desmiolado. Cansado e enfadado pelo frenesi que rodeou a chegada de um treinador de gladiadores contemporâneos, levantou-se e deixou os estúdios. Uma lição para os politiqueiros medíocres e de cócoras perante a má educação e semi-analfabetismo de jornalistas impunes, arrogantes e nulos. Parabéns àquele que foi, há pouco mais de dois anos, o cabeça de Turco desta selvageria em que se precipitou a imprensa portuguesa. Quando o PSD comatoso se esgota numa luta entre dois anões, Santana Lopes, com tão desabrido gesto, faz calar a escória que não cansou enquanto o não defenestrou, traiu e enlameou.

25 setembro 2007

Isolacionismo algum resiste à internet


O isolacionismo, o arame farpado e a autarcia não conseguem resistir à mudança operada pelas ideias que circulam pelo universo informático e pela inextrincável rede de comunicações dos telemóveis. A revolução birmanesa em curso decorre da alteração trazida pelas tecnologias de informação, pelo surgimento de pólos de acção e reflexão acessíveis e participáveis em rede. Por mais policiamento, rusgas e condicionamento desenvolvidos pelas autoridades, tornou-se praticamente impossível escrutinar cada correio electrónico, como impossível se tornou devassar as opiniões deixadas nos fóruns, as convocatórias para manifestações, as piadas e anedotas que vão passando de assinante a assinante. As ditaduras à antiga - com censura, ministério da propaganda, noticiários escritos por funcionários do Estado - são chão que já deu uvas. A Birmânia está a viver os tempos do fim desse tipo de regimes. A ela seguir-se-ão o Laos, o Vietname, a China e o Irão. Um regime frágil não consegue encontrar meios para conter a explosão de informalidade. Se a China tem aparentemente domado a aposição, está a adiar o veredicto final, como uma criança que erige patéticos diques para conter o oceano.
Sintonizo a tv birmanesa: folclore, gastronomia, loas a inaugurações, com muitas fardas e sinistras criaturas de óculos escuros simulando entrega à coisa pública. O regime dos narco-generais parece não se dar conta que já não existe.