09 junho 2007

Ela está nos cirros

Miss Pearls estreia-se hoje no Expresso com uma reportagem sobre Serralves. Que fique, pois aumentará as vendas. Parabéns Isabel ! Gostei e espero que continue. Só não gostei da máscara ante-diluviana escarrapachada na capa da Única.

08 junho 2007

Três Elefantes Brancos para Lino

Proponho ao Ministro Lino dois investimentos absolutamente inúteis em dois desertos:
- Linha de Metro (de profundidade) ligando a Vidigueira a Beja, bagatela de dois biliões de Euros necessária ao transporte de idosos para as consultas e centro de dia.
- Aeroporto internacional nas Flores (uma pechincha por um bilião de Euros) para transfer de passageiros com destino aos EUA.
Remanescendo orçamento, faça-se um TGV ligando os Restauradores ao Marquês de Pombal.

Um fascista cavalheiro

José Antonio Primo de Rivera ocupa lugar particular e destacado na história dos fascismos que varreram o horizonte político internacional nos anos 20 e 30 do século passado. Sublinho século passado, pois a distância e inactualidade das ideias permite confronto sereno e desapaixanado e permite comparar e relativizar, facultando ao historiador das ideias, contextualizando-os, o carácter, a acção política, o pensamento e importância do ardente tribuno no quadro histórico em que viveu. O fundador da Falange, cuja obra tem vindo a ser publicada, como lembra hoje o Pedro Guedes da Silva, foi um fascista, mas de uma variante de tal modo atípica - personalista, confessional, logo não totalitária - que dir-se-ia um tradicionalista com adamanes social-democratizantes em tempo de extremismos desvairados. Não tivesse actuado no tempo em que transcorreu a sua acidentada como trágica existência - nessa Espanha dilacerada e radicalizada pela penúria e pela indecisão ante os futuríveis - e José Antonio teria sido um líder trabalhista de inspiração cristã.



Não era, como tantos outros chefes fascistas, um desclassificado social saído do lumpen: era um aristocrata de fina educação, sólida formação cultural, amante das belas letras, frequentador de tertúlias literárias, amigo de Garcia Lorca, diletante da História de Roma, leitor atento das encíclicas dos Papas sociais. Ao contrário dos improvisadores e agitadores de rua, José Antonio deixou nos seus discursos forte marca do rigor, coerência, sistematicidade e clareza que separam o meridiano pensamento da demagogia. Como homem, a sua candura, bonomia e perspicácia, aliadas a excelente presença que cumpria os requisitos fotogénicos à Gardel nos alvores da era da imprensa ilustrada, José Antonio não inspirava nem asco nem medo como tantos outros caudilhos fascistas como Codreanu, Ante Pavelic, Hitler, Mussert e Doriot. O ódio, arquitrave de tanto extremista - ódio ao humano, ódio racial, despeito social e ressentimento, fanatismo - não se vislumbra no seus escritos. Pondo de parte obras apologéticas, como a que escreveu Ximenez de Sandoval, tentativa de o transformar num Arcanjo ardente, uma espécie de Belona cristã, meio monge, meio soldado, o retrato que do verdadeiro José António nos chegou é verdadeiramente simpático: bom conversador, sorridente, ouvinte atento, nunca se lhe ouviu um impropério ou uma sombra difamatória, manteve sempre relações de grande amizade com pessoas de outros quadrantes ideológicos e tinha sempre (a sua condição de senhorito o impunha) uma atitude benevolente (leia-se paternalista) para com os de condição social inferior à sua.



Viveu e actuou num meio violento em que o revólver, o porrete e a soqueira eram artefactos comuns nos enfrentamentos políticos. Gente sua cometeu crimes de sangue, mas num tempo em que a Passionária ameaçava de morte os deputados em plena sessão das Cortes, em que Santiago Carrillo - então presidente das Juventudes Socialistas - foi mandante e executor de um massacre como o de Paracuellos del Jarama, a violência de Rivera surge como um dado ambiental. A Espanha dessa década efervescente era um cadinho de violência - só no levantamento das Astúrias em 1934 morreram milhares às mãos da expedição punitiva do exército - pelo que o extremismo da Falange não destoa. Ao ler passagens das Obras Completas acode-me à mente o nome de Dionisio Ridruejo , também falangista e intelectual de primeiras águas cuja evolução poderá indicar - ou deixar supor - qual teria sido o percurso de José Antonio se as balas assassinas o não houvessem trespassado na flor da juventude. Afinal, o "fascismo" de Primo de Rivera não mais foi que uma impregnação datada, como os surtos de gripe que todos os anos reclamam febrões.


Carlos Gardel: Yira, Yira

06 junho 2007

A Expo-República 2011


Acabo de saber, de fonte fidedigna e bem relacionada nos meandros do poder, que o Estado se prepara para investir somas de Crassus nas celebrações do infausto centenário da Menina República. Exposições, catálogos, sites temáticos e outras edições electrónicas, conferências e jornadas várias encherão o ano de festividades encomendadas e pagas pelo contribuinte, agora chamado para as corveias de um acontecimento que deixou canceroso o país e ditou o cortejo de governos e regimes que atiraram Portugal para a condição em que nos encontramos.


Sei que em Portugal - para além dos aspirantes a presidente e dos eternos despeitados sociais - há mais monárquicos que republicanos; que a ética republicana é coisa para crentes; que as virtudes da república jamais alguém as conseguiu ver, tão pouco praticar; que o desfile de presidentes, fardados e paisanos, faria a inveja dos mais ousados congressos teratológicos; que a dita senhora dividiu os portugueses, levou-os nos últimos cem anos a uma guerra civil, quatro golpes de Estado, sessenta e tal governos, uma revolução marxista terceiro-mundista, uma descolonização genocida e à resultante entrada a empurrões e pontapés na Europa; que os senhores presidentes gastam quatro vezes mais dinheiro que o Rei de Espanha.


Não sei, com toda a pertinência o pergunto, que celebrações poderão ser essas, que exemplaridade se extrairá de uma república que conquistou o poder pelo revólver e pela bomba, que matou o Rei e o Príncipe Real em plena rua como quem mata um Lampião fora-da-lei, e que depois da vitória estilhaçou toda a energia em querelas, fratricídios e clamorosos erros diplomáticos. Como poderei explicar a uma criança de 12 anos que celebramos a república, se desta não saiu liberdade mas ditaturas - não uma, a tal, mas quatro - e que a fraternidade de que falavam os seus arautos se converteu na mais absoluta lei de bronze dos oligarcas, das famílias e das organizações subterrâneas que centuriam o Estado e o utilizam para enriquecimento de grupos ?


Verdi: A Força do Destino (Raina Kabaivanska)

03 junho 2007

Vandalimo pedagógico


Manifestação frente à embaixada letã em Lisboa pedindo e implorando a libertação de uns rapazolas detidos em flagrante acto iconoclasta naquele país báltico recém-libertado da bota comunista. Fizeram-no por inconsciência e por criancice, dizem amigos e familiares consternados, mas no acto de ofender um povo na destruição da sua bandeira há, escondida, uma pedagogia de décadas, veneno corrosivo que por aqui foi gota a gota injectado por gerações de criaturas que nunca esconderam um inteiro programa desnacionalizador que agora se revela em toda a sua sementeira. Inculcaram nos miúdos deste país o desprezo por tudo o que deve ser objecto de respeito, baniram da escola os caboucos do civismo, o culto da bandeira, o respeito pelo hino. Parece já não haver "kit" patriótico capaz de reparar males que o ódio a tudo o que o estômago e as vísceras desconhecem produziu neste ataúde à beira mar plantado.

Finalmente, a Primavera...em Junho



Frühling ist da