12 maio 2007

Roma: um grande espectáculo



Respighi: Pini di Roma (Pinheiros da Via Apia)
Tão impressiva como a leitura de Robert Graves ou Yourcenar, demonstrando que até a pobre televisão - que considero apenas 5% de cinema - pode aspirar à grandeza do acto artístico. A segunda revoada desta magnífica série parece demonstrar duas ou três coisas evidentes: Roma é o grande momento da nossa civilização; os europeus olham para essa memória genética com uma tremenda nostalgia; depois de Roma, a Europa brincou aos impérios, mas nunca a conseguiu superar.

11 maio 2007

Curiosidades de um brando país: facínoras eméritos

As duas simpáticas criaturas cujos fácies aqui reproduzimos da Galeria de Criminosos Célebres em Portugal (4 vols.), de Santos Júnior (et. al.), dada à estampa em 1898, desmentem a piedosa ideia de ter sido Portugal dos outros tempos um aprazível prado virgiliano. Sociedade violenta, como todas as outras, atingiu píncaros verdadeiramente lombrosianos em finais do século XIX. Basta ler Fialho e Abel Botelho, atentar na violência quase antropófaga das iras polemistas de então, espantar-nos com o tom terrorista dos libelos republicanos, escrutinar o noticiário dos jornais da época, para um frémito de espanto arregalado nos percorrer as veias. Aquilo era, no mínimo, gente que hoje só se encontrará nas fragas da Albânia, nas ruas de Cali ou Bagdade.
Proxenetas, violadores, infanticidas, uxoricidas, decapitadores, estripadores, estranguladores, envenenadores, ateadores de fogos - cada um exibindo uma alcunha arrepiante: o Nisa, a Giraldinha Rata, o Matuto, o Mestre Lobo, o Pera de Satanás, o Ladrão Fino, o Vidraças, o Gata Bexigosa, o Padrasto, etc, etc. Homens violentos, um Estado fraco numa sociedade ávida pelo espectáculo do sangue - os corpos trucidados das vítimas eram passados de mão em mão em gravuras ou fotografias, que se vendiam nas bancas de guloseimas e da lotaria - criaram um caldo borbulhante que no interim de duas décadas iria encontrar condições de absoluta catarse em plena violência republicana.
Hoje espanta-nos a tremenda efusão de sangue dos embates políticos da Primeira República - o 14 de Maio de 1915, a leva da morte, a guerra civil de 1919, a Camioneta Fantasma, os cárceres privados - mas esse hábito pelo sangue derramado prolongava práticas tidas por tão habituais como a satisfação de elementares necessidades quotidianas. Batia-se na oficina, batia-se nas crianças maltrapilhas das ruas, sovava-se em casa, na escola, no exército, Lisboa regurgitava de prostituição, desabrigados e desocupados crónicos, o alcoolismo e a sífilis faziam devastações e morria-se com a tísica (a "doença do peito") aos 25 ou 30 anos. Quando a fina patine de respeitabilidade se rompeu, por fim, em 1910, foi um vulcão. A quietude que os mais velhoa apontam ao "antigamente" é coisa recente. Só se fixou, com muita polícia, muito bofetão na esquadra, muita rusga e muito Limoeiro depois do advento de Salazar.

O Fraga: "Corpulento e nutrido, de rosto prasenteiro e insinuante, bem trajado, bem engravatado, ninguém o tomaria por um scroc e dos de quilate superior como é na realidade. Poucos haverá tão insignesa arte de iludir os incautos. (...) Somente o olhar o compromete um tanto. Quem o fixar com insistência, preocupa-se, desconfia. Há ali um brilho suspeito, o que quer que seja de traiçoeiro, muito velhaco, que dá que pensar. (...) Aquele crânio também não é muito vulgar. A caixa é enorme, parece haver ali algo de anormal."

O Maneta: "Era de alta estatura, forte espadaúdo, cor trigueira, mal encarado, voz grossa e rouquenha, olhar terrível e ferino. Trajava mal, quase sempre de barrete preto, casaco despido e lançado negligentemente sobre as costas. Atrevido nas falas e respostas, revelava contudo muita finura e inteligência, a par do maior arrojo. Era o tipo de salteador próprio para horrorizar quando, por ventura, fosse surpreendido dentro de uma casa."

América do Sul apaixonada



Por una Cabeza (Carlos Gardel)

Tempos houve em que os ditadores sul-americanos tinham panache: exibiam uns fardalhões operáticos e pareciam saídos de uma película technicolor. Os pequenos tiranos de hoje não passam de arrumadores de cinemas ou vendedores de cigarros.

10 maio 2007

Onde estão os portugueses ?

Almoço com a Isabel e um amigo canadiano de ascedência espanhola. Especialista em questões renascentistas, doutorado e pós-doutorado em História Europeia Moderna, casa em Itália, estadias prolongadas nos arquivos espanhóis, franceses e britânicos, poliglota - turco, hebraico, grego, alemão, francês; em suma, alguém com mundo - James acaba de chegar dos EUA, onde participou no maior encontro internacional de especialistas e estudiosos do Renascimento. Disse-nos, entre o surpreendido e o pesaroso: "estavam mil e quinhentas pessoas naquele encontro, dos mais variados países, mas não compareceu um só português". A resposta parece-me óbvia: os portugueses só conhecem o Algarve, não vão a sítio algum. É por isso que somos esquecidos, que temos a Universidade que temos, os ministros que temos, o jornalismo que temos, o movimento editorial que temos. Somos, cada vez mais, uma espécie de Sardanha. A conversa acabou por cair, irremediavelmente, no tema da portuguese bata !!!
Depois lembrei-me que temos excelentes estudiosos do Renascimento: Arnaldo Espírito Santo, Martim de Albuquerque e Pina Martins. Não estou certo, porém, que qualquer dessas excepções pudesse ser enviada por uma universidade a tal evento. O importante é, entre nós, a aplicação de Bolonha.

09 maio 2007

Pedro

Os amigos não têm necessidade de negociar os mesmos artigos, nem partilhar negócios, nem tão pouco se lhes exige que pensem da mesma forma. Isso é para os sócios e para toda essa gente que vai entrando e saindo das nossas vidas ao sabor das subidas e descidas, das circunstâncias e azares do trânsito, dos acidentes e incidentes desta coisa com que vamos preenchendo o calendário do nosso absurdo. De amigos nunca me afastei, nunca os traí enquanto amigos, nunca em mim encontraram uma porta fechada, um silêncio, um gelado aceno. Não sou muito sociável. Durante anos torturei-me com essa terrível e bisonha característica. Tive - tenho - sete, oito, dez amigos no máximo, pessoas em que confio em absoluto. Os outros não são amigos; são conhecidos: aparecem, desaparecem; não sei se estão vivos ou mortos. Diz o velho amigo Humberto que não erras na apreciação. Sim, está correctíssimo. Mudou o sumário. Deixei para trás muito daquilo em que acreditava. Razões ? Poderia enunciá-las, tantas são, a começar pelo descrédito que em mim se foi instalando a respeito da natureza humana, que não mudou desde o momento em que - como acreditavam os brâmanes - a grande aranha fez o mundo com o produto da sua convulsa digestão. Como o homem é produto disso, como nunca mudou, perdi ilusões transformistas, evolucionistas e outras só justificáveis no pressuposto da crença em "revoluções", "revoluções ao contrário" e outros sonhos de perfeccionabilidade dos homens e da sociedade.


Conheci Le Pen e a sua gente e só encontrei ódio, boutades, simplificações e esquematismos. Poderiam objectar-me que os outros são assim, também, mas hipócritas, velhacos e sinistros. É coisa acertada não conviver com políticos - com esses dependentes do afrodisíaco espectáculo do poder - mas entre essa outra direita e a minha (que estimo aristocrática, democrática e monárquica na velha síntese conseguida por Hume e Montesquieu), encontro duas ou três pequenas grandes dissemelhanças: "aquela" vive de arremetidas, não se lhe conhece projecto confessável e tem, para oferecer, apenas a "milícia". Se tivesse o poder, repetiria absolutamente tudo o que a perdeu e trouxe o triunfo absoluto de tudo o que dizia abominar. Depois, confesso que me chocou, descobri - já os velhos Alain de Benoist e Ernst Nolte o haviam feito - que aquilo em que muitos acreditavam era, apenas, uma forma de bolchevismo de direita. Descobri o valor da liberdade, dessa liberdade que tanto me custou alcançar, e por ela me baterei sempre, por mim e pelos outros. Quer se queira ou não - não obstante todos os males, as imperfeições e não escondendo a velha e sempre respeitável tradição anti-democrática da Filosofia - que essa liberdade só pode ser entendida como participação dos homens na vida da Cidade, sem impedimentos, sem restrições e infantilização.


Como aceito sem pestanejar a ideia da desigualdade dos homens, a melhor sociedade será aquela em que a competição, regrada, se afere no pressuposto de quem alcança e detém o poder pela inteligência, perde-lo-á quando esta declinar. É a rotação natural da elite que a democracia permite; a milícia combate-a, não arreda pé, interpreta a passividade dos que se lhe submetem como aprovação. É por tudo isso que esses "modelos fortes" não resistem às primeiras varizes, às brancas e às calvas do tempo. Todas essas experiências acabaram por transformar os jovens atribulados e revolucionários em defensores de sonhos estafados, vulgo gerontocracias. Não quero que uma mirífica vanguarda pense por mim, decida por mim, governe por mim, como não quero que me impeçam de ter o que bem entender, que me libertem do mal e apontem o caminho da salvação. Depois, deixei de aceitar que antes do homem se encontre a sociedade ou o Estado. Há, certamente, a sociedade, com os seus valores, tradições, formas de pensar, mas é aos homens concretos - eu, tu, fulano e sicrano - que se coloca permanentemente a responsabilidade e a possibilidade de reparar, desacreditar, defender aquilo que consideram importante para a manutenção da comunidade. Assim, sou também leitor agradecido de Burke.


Há, à esquerda e à direita, pessoas admiráveis, mas também há, numa e noutra, bandidos, canalhas e escumalha. Ora, aceitando, com o meu inalterável pessimismo, que é entre o pior que se faz o barro da actividade política, prefiro que, sobre ela, triunfante e permanente, se sente a democracia e a liberdade. Só assim nos aquietamos com a ideia da brevidade do mando dos bulímicos do poder.

Política e polícia

Terceira noite de violência nas ruas de Paris. Quem a estimula, quem se sente ameaçado pela decisão do povo francês ? Anémicos comentários do aparelho socialista derrotado, com assunção fingida de autoridade sobre os energúmenos e díscolos da banlieue, agora engrossados pela vagabundagem e pelos goliardos que ao longo dos últimos anos se impuseram aos passeios, de schnaps na mão, cobrando o tributo revolucionário por uma "arte" que ninguém quer. Amanhã estarão, decerto, as ONG's e todos os desinteressados sociólogos, assistentes sociais e demais beneficiários do subsidiarismo ameaçado. A um dia de regressar a Paris, desembarcado do "iate milionário" - como se Mitterrand e açafatas tivessem passado anos em canoas e tendas de campismo - dir-se-ia que, para o acolher, os derrotados nas urnas preparam um verdadeiro exército de tricotadeiras, jornaleiros, pés-rapados e demais peonagem para lhe negar o acesso à capital. Em 1962, De Gaulle voou de Paris para uma base militar e quase ordenou a intervenção dos tanques. Hoje, se tal acontecesse, seria uma revolução. O Estado perdeu autoridade, os seus servidores são homens de facção, a sociedade civil encontra-se presa de uma abulia suicida. É agora que se vai revelar, no gume da navalha, o sangue frio de Sarkozy. Conta com a Maioria Silenciosa, mas conta certamente com a polícia. Que a polícia aguente na rua aquilo que a Maioria Silenciosa decidiu nas urnas. Se a oposição não faz política, que a faça a polícia.

Piedade selectiva

08 maio 2007

Dias da libertação

30 de Junho de 1968. Depois de semanas de balbúrdia e choques entre os filhos da burguesia e o povo fardado - os policias - um mar de bandeiras e dois milhões de gargantas reparando a honra francesa e clamando por autoridade, justiça e paz. De Gaulle não conseguiu fazer uso desta mole humana e resignou-se, como Pirro. Os "jovens" de então haviam exigido: "ne travaillez jamais", "élections, piège à cons", "fin de l'université", "interdit d'interdire" e outras pérolas que tanto influenciariam os nossos cravos. O povo francês penou por décadas a indecisão do velho general.

Paris, 8 de Maio de 2007. A Maioria Silenciosa sacode os velhos soixante-huitards, entretando convertidos às delícias da governança. Esperemos que o novo general não deixe que a mão lhe trema e cumpra a vontade do povo.

Revoir Paris (Charles Trénet)

O debate do café

Esperei ontem pelo debate na RTP-1. Prometia-se bom espectáculo. Afinal, reproduziram-se ali conversas típicas de cafés lisboetas: Adriano Moreira fez as galas ao reportório da sala de almoços da Sociedade de Geografia, entre uma tarte de natas e um cálice de Porto; Miguel Portas mimetizou as graçolas do Café Roma, entre o queque e gin tónico; Mário Soares levou os sons da Ginginha e Rangel - ah, como esperei por ele e me desiludi tremendamente - não passou da conversa-conserva da Mexicana. Um temor reverencial perante a magna ignorância de Soares, que mantém intocado o chocarreiro atrevimento de falar sobre tudo e sobre nada, um apagar da chama de Adriano Moreira, que se resignou viver no seu mundo perdido ainda bafejado por bem-aventuranças e uma inexplicável demissão de Rangel.
Isto é realmente um palco de amadores. Em que país europeu se dá voz - e pastas ministeriais, mais a de primeiro-ministro, mais a chefia de Estado - a um homem que, ao discutir-se a Europa, ouvindo de Adriano uma referência a Coudenhove-Kalergi, se volta para o bijagós à sua esquerda e pergunta: "de quem ? quem ? nunca ouvi falar". A conversa de café, o respeitinho e toda a mediocridade que nos imerge tem destas coisas: fazer com que tolos e sábios se sentem como iguais ao café. Mais grave ainda é o de fazer crer que tudo o que dizem tem valor igual. Maldita igualdade, como te detesto !

07 maio 2007

Capitalismo e flibusteirismo

O ataque veio pela noite. O galeão singrava para o porto de bojo carregado com porcelanas e sedas da China, biombos e espadas japonesas, tafetá, pimenta e canela da Índia. A tripulação - marujos escravos, libertos e povo chão de sangue limpo, alguns fidalgos oficiais da Coroa, mais cidadãos honrados e uma mão cheia de regulares. Para mal dos nossos pecados, trazia a bordo a invisível praga do escorbuto - esse salário que pagam os honestos marinheiros ao mercado mundial, à sobrevivência das artes e ofícios, às economias dos accionistas e ao bem-estar das nações; em suma, ninharias - quando foi varejado pela metralha de um brigue que navegava a coberto de bandeira reconhecida palas convenções do mar.


Um ataque selvático, sem prévio anúncio, bombardas despejando metralha, escopetes dirigidos ao timão e ao guarda-marinha que fazia a vigília do último turno da madrugada. Em segundos, a nave viu-se assaltada por uma chusma de arrenegados recrutados nos serralhos de Tunes, nos bazares de Muscate, nos quilombos do Brasil, nas costas da cafraria e nas margens da sociedade honrada de Goa, Malaca, Batávia e Pondicherry. A coisa durou o tempo bastante para que se vissem os porões saquedos - uma fiança exige por vezes dois meses de trabalho, quando roubá-la exige apenas uns segundos de atrevimento - e uns quantos soldados despedaçados pelos alfanges, navalhas sevilhanas, alabardas e setas envenenadas. O capitão, experimentado nestes encontros, mas reduzido pelo febrão, mandou virar subitamente a bombordo e assim quebraram-se as fateichas e as garras que acorrentavam o nobre galeão ao predador dos mares. Chegados a bom porto, foi recebida sarcástica missiva do pirata, que aliás não serve senhor, nem conhece Lei nem Pátria, não teme a Deus nem deve aos homens. Em Manila, o Conselho da Capitania Geral decidiu para os próximos dias resposta ao dragão dos mares.

06 maio 2007

Triunfo da Maioria Silenciosa: fim da Mise en Scène suicida


Finalmente, a cultura do Maio de 68 acaba de morrer pelo voto em Sarkozy. Tardou, mas aconteceu. Finalmente, os rodriguinhos, o redondismo dos floreados e o vão rocaille, o autismo, o estatismo, a falsa solidariedade e toda a ganga de boas intenções com resultados catastróficos - na economia, nas finanças, na educação, na imigração, na política externa - cairam por terra. Nos momentos de transe extremo, as nações exprimem-se contra as convenções e as delicadezas. Nos momentos em que se decide o importante, os fracos regimes entregam ao povo o veredicto de fazer história.
Do triunfo de Sarkozy, aqui muito estimado, retiramos três ensinamentos:


1) Derrotados o imobilismo e o poder político e cultural das esquerdas. A França mudou com tal rapidez que os detentores do poder e aqueles que a haviam endoutrinado durante quarenta anos não conseguiram reagir. Aliás, neste particular, os interesses votaram à esquerda, as ideias à direita.


2) Derrotados o extremismo e o populismo.Sarkozy eclipsou ou feriu com gravidade extrema a "direita fora do sistema". O homem que um dia destronou o populista Charles Pasqua - cujo discurso era, no mínimo, ordinário - retirou à FN a última possibilidade na cena política francesa. As forças anti-sistema têm uma função quando não há energia, sonho e projecto; não cabem quando a razão e o bom-senso prevalecem.


3) Triunfo da Europa e do Ocidente. Acabou a França amiga de todos os ditadores ubuescos, a França carregada de complexos de superioridade, expressa pela exaltação de diferenças etnográficas, a França incapaz de se identificar, mas sempre aberta aos fumos do fanatismo, a França isolada e patética que perdeu, fatia a fatia, o outrora protagonismo mundial.

40 anos



Domingo, em convalescença, sem paciência para leituras exigentes. Dou comigo a ler o Diário da Campanha do Sinai, de Dayan. Este Diário reporta a primeira campanha do Sinai, em 1956, e foi publicado um ano antes da Guerra dos Seis Dias. Faz precisamente quarenta anos, para espanto do mundo inteiro, que uma nação de três milhões bateu em menos de uma semana a bazófia Nasser, um Mussolini de pacotilha, para mais socialista e títere do Kremlin . Aquela campanha relâmpago, preventiva e necessária ao tempo, foi um murro certeiro no prestígio que gozava a URSS no mundo árabe. Dayan, para além de genial estratega - comparam-no a Rommel - arqueólogo e político, era um excelente senhor da pluma. Controverso, carismático, infatigável e coerente até ao fim, era, afinal, um amante da verdadeira paz - sem concessões ao terrorismo e a ataques inopinados contra o seu povo - pois advogava a imediata devolução da Faixa de Gaza e da Margem Direita do Jordão aos árabes.