17 fevereiro 2007

Madame Terylene Royal


Ouvi hoje uma entrevista concedida por Madame Ségolène Royal a um canal da televisão francesa. Um chorrilho de banalidades, de um manter-tudo-como-está, digno de piedade. E falamos nós da miséria abaixo de cão que domina a vida política portuguesa. A senhora Terylene é um remake de toda a sensaboria do capitalismo de subsidiação inventado pelo defunto Mitterrand, um consomé gélido, sem uma nota de arrojo, uma ideia, uma simples provocação. Dir-se-ia que os apparatchik se lembraram apenas de Madame Terylene pelo palminho de cara e pelo sonho - ah, como são monárquicos esses socialistas franceses - de ver casada a Presidente com o putativo Primeiro-Ministro Hollande.

Dresden marítimo

Lembra hoje o nosso confrade Nonas esse outro Dresden que foi o afundamento do paquete Wilhelm Gustloff. Uma tragédia de nemésis, uma vergonha que enlutou para todo o sempre o Báltico e ceifou quatro vezes mais vidas que o colapso do Titanic.

Ashram animado


Aquilo pelo Ashram mudou bastante desde que se renderam ao furor vateliano das opíparas comezainas dignas de Versalhes. A table du Roi enche o grand hôtel que outrora foi local de meditação e refúgio do anacoreta. O nosso Jansenista é, agora, o salon littéraire et philosophique mais procurado.

O que é feito desta gente ?

Isto e muito mais numa admirável hemeroteca virtual. Ilustração Portuguesa, um portento ! Para melhor conhecer os conteúdos, percorrer os marcadores cronológicos inscritos na coluna inferior esquerda.

16 fevereiro 2007

A escrófula purulenta do regime


Os legisladores de 76 enganaram-se redondamente na idealização do país político e na decantação da soberania popular. Escolheram o semi-presidencialismo mitigado, com protagonismo acentuado do parlamento, quando deveriam ter assumido a tradição do poder personalizado próprio da tradição moderna portuguesa. Num país onde cada um zela, apenas, pelo seu interesse, o bem-comum é confundido com o "bem da parentela", pelo que um regime que abre portas à massa ávida de favores e ao tráfico de influências depressa derrapa para a anomia, a irresponsabilidade e a locupletação. Os dignos constituintes deveriam ter escolhido o presidencialismo.


Um outro sonho de 76 - dir-se-ia uma emanação da cidade sub-ideal de As Leis, do octogenário Platão, mas aqui privado do Conselho Nocturno- era o de repartir o poder por todo o corpo de cidadãos, a começar pelo poder local, estupidamente comercializado pelo nome de "autarquias locais", pois as autarquias são sempre locais. Herança do municipalismo, este sonho de repartição do poder, ou do entendimento de uma soberania da res publica feita da soma de esferas inalienáveis de direitos das comunidades, não resiste à sociologia. O poder local prima pela imediatez quase pré-política, tendo a montante a influência dos beati possidentes locais, dos seus interesses de zangãos todo-poderosos, da sua instintinva capacidade para anular e destruir concorrentes. O poder local é o epítome da degenerescência da democracia em tirania de uns novos senhores de pendão e caldeira, do mais chão populismo de electrodomésticos, futebóis e centros de dia, mas é, sobretudo, a maior escola de banditismo legalizado.


O "poder local" tem sido a causa primeira de todos os roubos, de todo o favoritismo incontrolável, de todos os atentados de lesa-património e devastação natural. Temos o país centuriado por gente inqualificável, impreparada e grosseira. Neste particular, bato palmas ao bonapartismo da tradição francesa. Julgo que muito ganharia o país se, em vez de autarcas boçais e salteadores de estradas, tivessemos quadros técnicos superiores do Estado respondendo pelas suas carreiras no exercício de funções "autárquicas". Como não temos uma École Nationale d'Administration, quase tudo o que se faz nas autarquias é de duvidoso conteúdo material ou, pior, de perigoso intuito venal. O recente escândalo na CML nada acrescenta ao que já se sabia num torvelinho imparável de tropelias verificadas em Salvaterra de Magos (Bloco de Esquerda), Felgueiras (PS), etc, etc. Metade dos recursos da PJ são aplicados em casos de corrupção autárquica. Terá chegado o momento de acabar com esta grande ilusão de um povo de probos servidores do bem-comum. Terá chegado o tempo dos administradores públicos.

15 fevereiro 2007

O nosso Silva do Iraque


Já foi hoje ao Grand Monde ?

Panorthosia do terceiro-mundismo contra-cultural



Nada de novo sob o sol. A cultura oficial da esquerda cerebral - que em tempos foi contra-cultural e agora é ditadora do pensamento único - está, afinal, espalhada por textos com 100, 300, 500, 3000 anos. A "reforma universal" - um mundo renovado, unido pela inteligência e boa-vontade dos homens aspirando à perfeição numa comunidade mundial - tão presente na boa-nova dos alter-globalizadores, foram-na buscar a Comenius. A panreligião do supermercado das espiritualidades de "auto-ajuda", self improvement e outros sincretismos new age não passa de uma canhestra adaptação do universalismo e do pluralismo reconhecido por todas as religiões, tanto as reveladas como as inspiradas. A "religião universal", em sentido literal, foi caminho obrigatório para os deístas dos século XVII e XVIII (Burton, Locke, Hume e Voltaire), reduzindo-se hoje a "deísmo construtivo" por exclusão do sobrenatural e a uma mera conversão em programa de viver-conforme-a-sabedoria [de todas os textos sapienciais]. No fundo, como o disse expressamente Rozak em The Making of a Counter Culture, as sociedades multiculturais pretendem encontrar estabilidade num meio onde o consenso não pode funcionar, porquanto o consenso está para além da tolerância e esta requer uma cultura dominante que reconheça às restantes minorias culturais o direito a existir. Todos os debates, choques e vacilações em que mergulham as sociedades privadas de unidade cultural vem demonstrar a impossibilidade de uma alter-cultura plural, pelo que a esquerda alter-cultural, mais que uma sólida alternativa a um mundo velho que se estilhaça, é, apenas, reflexo dessa queda e do vazio que se instala. A alter-esquerda é, afinal, o pensamento dos pobres de espírito de uma civilização que desconstruiu-se ao ponto de nada poder compreender, de nada poder julgar e agir. Temo que o New World que venha a ocupar o lugar do caos esplendoroso em que vivemos tenha muito pouco a ver com esse novo horizonte de plenitude e sabedoria. Temo, como conservador, que o Novo Mundo seja a reposição da tirania absoluta desses impérios mundiais que sempre se impuseram quando o ruído ameaçava a sobrevivência dos homens. Temo que a resposta a essa globalização caótica esteja mais em Hobbes que nas ideocracias. Afinal, a história repete-se.

Destaques em atraso






Só ontem tive oportunidade de dedicar duas horas de proveitosa leitura ao último número da Atlântico, sem dúvida o que de melhor se pensa e escreve em Portugal nos dias que vão correndo. A geração ascendente dos liberais canónicos - não desses que se dizem liberais quia absurdum, num tique irritante de adoração pelos reflexos secundários da prática do liberalismo económico - parece estar a conseguir estruturar uma sólida recepção portuguesa de uma escola, de uma doutrina e de uma atitude que são marca distintiva do pensamento contemporâneo de matriz ocidental. Lembrando outra linha, outros tempos e outros modos, creio estar a Atlântico para o pensamento liberal como esteve o Futuro Presente para o aggiornamento do arsenal ideológico da direita não sistémica no início dos anos 80.
Num registo distinto, não posso deixar de assinalar a crescente afirmação de um dos mais inteligentes e profundos prosadores doutrinais da blogosfera, o nosso caro Corcunda, cuja sucessão de textos tem enriquecido, estruturado e fundamentado sobremaneira um pensamento tradicionalista que há muito se havia ancorado numa subcultura anos 20. O Pasquim da Reacção, pesem as divergências que nos separam, é felizmente o eixo de renovação de uma doutrina sem expressão politiqueira, mas sem a qual é impossível compreender os caboucos de uma atitude portuguesa face ao mundo actual. O Pasquim da Reacção demonstra uma segurança, uma firmeza e uma honestidade notáveis, assumindo por vezes verdadeiro e desarmante espírito provocatório face aos ídolos do pronto-a-pensar a quem se agarraram as direitas e as esquerdas esquecidas da aventura do pensar.

14 fevereiro 2007

S. Valentim



Hoje vi as ruas cheias de apaixonados e apaixonadas: flores, perfumes, livros, sacos e embalagens engalanadas. Passos apressados, restaurantes cheios, lojas a abarrotar. Afinal, parece haver ainda potencial para o romance num país que se deixou engolir pelo pessimismo, pela desesperança e pelo fado. Afinal, também se ama em Portugal.

1969: Portugal rompe a Cortina de Ferro



Amália Rodrigues conquista a Roménia (1969)

Tão livre como na livre Inglaterra
















Ontem senti-me num país civilizado. Não foi preciso fugir para o meu jardim secreto, portadas fechadas, tv apagada e livro sobre os joelhos para me furtar à atmosfera que me oprime. Prepararam-me um belíssimo tornedó de vitela ao molho de vinho do porto, assisti ao programa de Nogueira Pinto - uma peça livre do ódio, da propaganda infantil e dos suplícios a que somos submetidos - e terminei em beleza com North by Northwest. Um sonho de noite invernosa com assomos de liberdade.
O atestado da nossa escravidão - esta incapacidade para ver o grande onde está o grande, o reles onde está o reles - tem sido a verrina incutida dia-após-dia, ano-após-ano, década após década a propósito de um homem nascido há quase 120 anos, que abandonou o poder há 40 e morreu era eu um menino. Passei toda a vida submetido ao flagelo da diabolização, do insulto, do queixume eriçado de ódio. Passei a conviver com esse ódio com a naturalidade de quem respira. Agora, tudo se dissipa. Afinal, muitos portugueses parecem render-se à evidência da grandeza do roble abatido, comparam-no e reconhecem-lhe as virtudes da honestidade, do labor sacrificado, do sentido de Estado, do viver humilde e do amor por esta pátria. Afinal, ele terá sido o último português antigo.
Sempre detestei a cronofobia, o terror pela inelutável passagem do calendário. Os povos que não conseguem superar o passado estão condenados. Somos dominados por ódios velhos, de velhos e das suas memórias, pelo que a persistência do "anti-salazarismo" constitui uma doença. Não há português que queira viver em ditadura, privado de liberdade. Contudo, sopesando o que o precedeu (república) e tudo o que evitou (a comunização da península, a guerra e a invasão alemã), o seu regime não mais terá sido que uma benigna, paternalista e autoritária alternativa aos totalitarismos que dominaram o mundo essa era de extremos que foi o século XX.

13 fevereiro 2007

P-S-D


O PSD não é uma decepção: é o cúmulo da coerência relativista. Ora vão 500 mil euros para o SIM, ora 500 mil para o não. Lembro, com revolta - num tempo em que o PSD não existia, isto é, quando era ala esquerda da ANP - que o então gurú do grupo (não com a actual compleição de 112 cm, mas do alto de impressionantes 132 cm) afirmava com peremptório descaramento ao comandante em chefe das Forças Armadas Portuguesas em Moçambique não "poder por ele [general] manifestar qualquer respeito público, dado ser [o general] o comandante de um exército de ocupação".
Nunca votei, jamais votarei, numa agremiação de gente sem coluna vertebral, preferindo mil vezes depositar o miserável óbulo no camarada Sousesco que alienar uma molécula do meu amor-próprio com tal curibeca. Aquilo não é partido nem coisa alguma: soa a sigla comercial, mudando de símbolo e designação de acordo com as flutuações e humores do mercado. Foram socialistas, nacionalizadores, braço-dado com Vasco Gonçalves na sanha saneadora, pediram a reforma agrária, fecharam os olhos às ocupações, estiveram com o COPCON no 28 de Setembro e no 11 de Março, votaram a Constituição programática e a "via para o socialismo", encheram-se com o rebutalho dos ex-pêcê's , foram liberais, sociais-liberais, liberais-conservadores, foram esquerda, centro-esquerda, centro e centro-direita.
Dali pode vir tudo. Estiveram 20 anos no poder - estão no poder mesmo fora do poder - intoxicaram com lixo quimicamente puro a comunicação social, sobretudo essas ETARES que encanalharam ao limite o povo-basbaque e analfabeto. Ainda há dúvidas ? Amanhã, se o trend se manifestar interessante, estarão na primeira linha dos defensores da inclusão na Espanha.
Aliás, há um tipo físico próprio dos entusiastas da coisa: uns homenzinhos redondos e cheios de si a puxar ao falso-fino, umas meninas benzocas a brincar ao militantismo, vazias e tontas como bonecas velhas, uns meninos de gravata, repetentes eméritos e quase iletrados, agitando bandeiras e vitoriando com os dedos mas olhando para a tal secretaria de Estado, o tal gabinete ministerial, a tal assessoria. De toda essa turbamulta parece escapar, apenas, o "trapalhão", o tal que eles quiseram alijar como se esfega uma nódoa, não fosse o homem dar ao grupo um tom ideológico mais coerente.
Ao pé deles, Sócrates é um Alexandre, um César ou um Bonaparte. Comigo não contem - NUNCA - para alimentar as ambições dessa magnífica safra de Acácios.

Os referendos que "eles" nunca se atreveriam submeter ao povo português



1 - Concorda com a restauração de uma chefia de Estado hereditária e dinástica, independente de partidos e interesses económicos, não submetida a qualquer internacional, representante do povo português, testemunho da identidade e história e garante da preservação da independência nacional ?


2 - Concorda com a transformação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, de instituição interestatal de concertação e cooperação política, cultural e científica em federação de Estados, com consequente aprovação de uma Constituição, de um governo federal e de uma chefia de Estado comuns ?

12 fevereiro 2007

Blogue do Não

Encerrou o Blogue do Não, que lutou em desigualdade de circunstâncias contra a bateria dos "ventos da história". Lembrando a velha arte cavalheiresca, segundo a qual por vezes importa partir para a batalha com pleno conhecimento do desenlace final, penso que o Não terá ainda de ressurgir perante novos vendavais. O próximo pleito será, sem dúvida, contra a eutanásia, que os cultores da morte apresentarão como "interrupção voluntária, assistida e digna da vida agonizante". Para os animadores e colaboradores dessa tribuna, o meu tributo de respeito.

Espectros à solta no rescaldo do referendo


"Porque os fantasmas, uma vez criados, nunca mais nos deixam. Acompanham-nos toda a vida. Gerámo-los com os nossos actos, chegando a ter uma existência muito mais real e tangível do que a dos outros seres com quem todos os dias lidamos. Por fim dominam-nos".


Raul Brandão, Memórias


Leio nos jornais da manhã esse longo recitativo de declarações e juras de fidelidade à vida, à esperança e ao futuro, mas nelas pressinto apenas o remorso de quem permitiu um crime e procura com patética inabilidade espantar o obituário que anuncia o suicídio colectivo. Não querendo exagerar, vejo-me numa Roma envenenada pelo invisível chumbo esterilizador. Os antigos mataram-se pela peçonha do metal tóxico presente nos encanamentos da grande capital do mundo. Nós, matamo-nos com a invisível contra-cultura, e como nos matamos alegremente, precisamos de criados que nos assistam nas derradeiras libações. Que venham escravos sírios, fenícios, núbios, etíopes, mouros e persas servir-nos as ameixas e os ágapes - os gafanhotos dourados polvilhados com mel, as patas de urso, os pescoços de girafa, os miolos de andorinha -; que nos limpem os salões dos vómitos da fartura mortal; que nos transportem do triclíneo para o tepidarium. Amanhã, aos doentes, àqueles que não já não podem acudir aos simpósios, será dada autorização para uma morte decente. Depois de amanhã serão os senis. Assim caminha, alegre e sereno, o nosso velho mundo para a vala comum.

11 fevereiro 2007

Derrota da racionalidade ética, triunfo da racionalidade técnica


Chegou ao fim a luta em que tantos se envolveram ao longo de meses. A derrota do Não decorre de determinantes estruturais claramente identificáveis, de circunstâncias epocais facilmente elencáveis, bem como de responsabilidades bem evidentes no plano táctico.


Abstendo-me de quaisquer comentários a respeito do primeiro e segundo níveis, não posso deixar de me espantar pela gritante incompatibilidade entre uma certa ideia de civilização fundada nos direitos humanos e a ausência de princípios pelas quais essa dignidade e esses direitos supostamente intrínsecos se podem preservar na ordem política. Na esfera da cidadania não cabe, decididamente, outra positivização que a da política entendida como espaço de liberdade, opinião e confronto entre programas de diversa índole, mas expressão do mesmo substracto a que se chama civilização.


Perdendo-se a unidade invisível, perdendo-se os fundamentos sobre os quais repousa a unidade civilizacional, transfere-se para as circunstâncias, os estados de alma e os caprichos a essência de uma civilização. Não cabe à pólis decidir, votar, banir ou assimilar aquilo que está antes e acima da sociologia. A pólis não pode, pois, exprimir-se em matérias cuja relação com os homens e com a comunidade são condição para que os seres humanos sejam homens e para que a comunidade seja uma sociedade, uma nação, um Estado.


Pedir ao voto que se pronuncie sobre a existência ou inexistência de Deus, sobre o interesse ou desinteresse da preservação da independência nacional, sobre a verdade, o bem, o belo ou a justiça - ou seja, pedir ao voto qualificação em questões metafísicas, teológicas, filosóficas e estéticas - surge-nos tão absurdo como pretender pedir a um teólogo, a um filósofo ou um criador consulta sobre pesos e medidas, taxas de juro, câmbio e regulamentos rodoviários. Esta confusão de planos encontra eco na sociedade de consumo, sem passado nem futuro, em que as ideias deixaram de ser entendidas como radicais e absolutas na sua universalidade partilhada, mas como matéria de discussão no mercado da opinião.


Contentando-me inverter a hierarquia das coisas, localizo nos comportamentos atitudes denunciantes de quantos, sabendo tudo isso, se remeteram ao silêncio colaborante, à transigência e à neutralidade. Refiro-me, evidentemente, à postura da Igreja portuguesa, tão pujante e opinativa noutras questões, aqui tão caladinha, quase envergonhada. Refiro-me, também, ao PSD e ao seu líder, cuja inqualificável cobardia será decerto aplaudida como carta de alforria para outras questões filosóficas que venham a ser colocadas ao povo-rei.


Posto falarmos de biologia e bio-ética - um assunto em que o homem da rua é, como se sabe, perito encartado - não seria desinteressante submeter ao povo-rei outras questões do foro académico.

O triunfo de Roma: os russos no Vaticano

Desigualdade de vítimas