05 dezembro 2007

Um dia para não esquecer (5): o monarca e o seu povo


O Rei da Tailândia, que subiu as escadas do trono em 1946, é um verdadeiro prodígio político. Quando assumiu funções, a monarquia havia sido confiscada por ditadores-regentes, uns fascizantes com sonhos presidencialistas, outros deslumbrados pela ideia de uma "República Popular" à imagem dos tristes satélites e peões da URSS e da China maoísta. Rama IX foi-se impondo ao respeito do povo e desmontou, um a um, os argumentos da clique politiqueira que desde 1932 transformara o país numa fruste cópia dos regimes autoritários que fizeram história no entre-guerras, ou no imediato pós-guerra. A Revolução que Rama IX desencadeou assenta, desde então, na fusão de nacionalismo, budismo e democracia representativa, forças potencialmente explosivas mas aqui direccionadas para uma síntese que se tem dado bem. O rei promoveu a reforma agrária, fomentou e dignificou a agricultura, decretou o ensino obrigatório para todas as crianças - a Tailândia só tem 1% de analfabetos - e lançou uma rede de grandes planos de fomento social e contenção dos estragos causados por uma imparável industrialização. O homem é idolatrado e os tailandeses sabem que lhe devem a vitória militar sobre o comunismo - o PC da Tailândia desencadeou guerrilhas a partir de 1966 - e a promoção da sociedade civil. Deve-se-lhe, também, a protecção e promoção dos direitos das mulheres, a luta contra a toxico-dependência, a solidariedade para com as vítimas do SIDA, a protecção às crianças orfãs e um interminável esforço na luta contra a corrupção e o autoritarismo, velhas doenças do Estado. Vi-o hoje no sua blindada limousine. As pessoas ajoelharam-se, choraram e chamaram pelo seu nome. Um coro tremendo saudava-o com um Son Phra Ja-roen, o que na língua real - os reis possuem, como no Japão, uma língua exlusiva - se pode traduzir em "tenha uma vida longa e cheia de saúde". Pela segunda vez comovi-me. Quem me dera ter um chefe de Estado assim !

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