05 dezembro 2007

Um dia para não esquecer (3): a força do povo




Apanho um tuk tuk - motorizada-táxi com caixa para dois passageiros, sucedâneo do velho riquexá - e atravesso a grande metrópole em direcção a Ratchadamreong, a enorme artéria de oito pistas que rasga o coração histórico da capital siamesa, local dos grandes ajuntamentos e sala de visitas do país. É aí que se situam os ministérios, o velho palácio real de Dusit e o Wat Phra Kew (templo do Buda Esmeralda). Um mar de gente - serão 300.000, 400.000, 500.000 - desloca-se para o maior evento do ano. Uma mole de amarelo vestida, bandeiras nacionais tricolores e bandeiras douradas da casa real. Com a impunidade de farang (europeu) circulo ao longo da avenida, coisa a que nenhum thai se atreveria, pois aqui a polícia é senhora e dona. Vou tirando fotos avulsas. Crianças de colo, idosos, ricos e pobres, a burguesia dos negócios, a burguesia do funcionalismo, os calceteiros, carregadores e operários do Isan (região deprimida da Tailândia), estudantes das universidades, , gente minúscula e gente de cabedais junta e sorridente, fazendo jus ao turístico slogan do "país do sorriso". Dizem que ali estão desde ontem, para melhor poderem ver o seu Rei. Curioso não ter assistido a altercações, gritos, discussões e empurrões. Até os sisudos policias estão descontraídos e, coisa rara, sorriem como o povo paisano. É o grande povo tailandês, de sorriso quase infantil, que ali está em peso. Comovo-me e não me revejo em nada que vi até hoje na velha, manienta e afectada Europa.

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