26 dezembro 2007

Fardismo


Para os adoradores de passadeiras, galões, divisas, bandas e berloques, a Tailândia é um paraíso. Aqui, quem não tem uma farda não existe. Há farda para a escola primária, farda para o secundário, farda para a universidade, farda para cerimónias académicas, farda para funcionários públicos e empregados de supermercados, farda para gasolineiros e empregados dos correios, farda para taxistas e empregados de hotel, farda de passeio e serviço para ministros e directores-gerais, farda para empregados da limpeza. Até os candidatos ao parlamento disputam a mais bela farda para o cartaz da seriedade. Antes que o lixo eleiçoeiro recolha ao seu cemitério, tirei algumas fotos aos cartazes fronteiros à minha casa. Aqui, três candidatos de um partido monarquíssimo, nacionalistíssimo e religiosíssimo. Parecem três actores de telenovela, que aqui leva o nome de lakhon-tee-wee, mas não: são políticos empedernidos prontos para as mais duras batalhas da oratória parlamentar. Ao menos têm um palminho de cara. Estão a ver a Odete Santos, a Maria de Belém ou a Matilde Sousa Santos metidas numa farda ? Pois, seria algo entre um salsichão a rebentar pelas costuras e um queijo da Serra amanteigado a sair de dentro de uma casaca medalhada.

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