02 setembro 2007

Valor e cumplicidade


A saída de Paulo Teixeira Pinto da direcção executiva do BCP parece vir dar razão àqueles cujo pessimismo em relação à cultura empresarial portuguesa se estriba na verificação de que a carreira e segurança profissional de um indivíduo, por mais sólido, competente e dedicado que este seja, depende mais de factores irracionais - logo incontroláveis e imprevisíveis - que do gabarito, da honestidade e inteligência. Dir-se-ia, no mundo dos negócios como em todos os outros sectores profissionais, que às pessoas lhes seja exigida à cabeça participação e cumplicidade em lóbis, grupos e demais curibecas antes de todas as demais competências requeridas para o exercício de funções. Ou seja, em Portugal, antes da prestação curricular, atenta-se sobretudo à subjugação a um grupo religioso, a uma maçonaria, a um partido/empresa ou, simplesmente, a um qualquer patrocinador. Assim, os indivíduos detentores de coluna vertebral, independência e sentido crítico, não têm outra alternativa que a de partir. Sinistra, empobrecedora e controleira, tal sociedade está votada a figurar entre as mais arcaicas, imobilistas e medíocres do Ocidente. É aí, precisamente, onde estamos !
E depois, de cordelinhos na mão, há sempre um geronte que não larga, até ao caixão, as afrodisíacas rédeas do poder, preferindo dá-las a serviçais medíocres, mesmo que tal custe o sacrifício supremo da morte da instituição.

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