25 setembro 2007

Isolacionismo algum resiste à internet


O isolacionismo, o arame farpado e a autarcia não conseguem resistir à mudança operada pelas ideias que circulam pelo universo informático e pela inextrincável rede de comunicações dos telemóveis. A revolução birmanesa em curso decorre da alteração trazida pelas tecnologias de informação, pelo surgimento de pólos de acção e reflexão acessíveis e participáveis em rede. Por mais policiamento, rusgas e condicionamento desenvolvidos pelas autoridades, tornou-se praticamente impossível escrutinar cada correio electrónico, como impossível se tornou devassar as opiniões deixadas nos fóruns, as convocatórias para manifestações, as piadas e anedotas que vão passando de assinante a assinante. As ditaduras à antiga - com censura, ministério da propaganda, noticiários escritos por funcionários do Estado - são chão que já deu uvas. A Birmânia está a viver os tempos do fim desse tipo de regimes. A ela seguir-se-ão o Laos, o Vietname, a China e o Irão. Um regime frágil não consegue encontrar meios para conter a explosão de informalidade. Se a China tem aparentemente domado a aposição, está a adiar o veredicto final, como uma criança que erige patéticos diques para conter o oceano.
Sintonizo a tv birmanesa: folclore, gastronomia, loas a inaugurações, com muitas fardas e sinistras criaturas de óculos escuros simulando entrega à coisa pública. O regime dos narco-generais parece não se dar conta que já não existe.

Sem comentários: