06 setembro 2007

A guerra estúpida

Medições frenológicas de sacerdotes sob a Primeira República


O João faz o retrato da coisa e do coiso: a esta III República coube um Pai da Pátria que pede palmas aos filhos e, com idade de bisavô, ainda quer mandar e dispor dos negócios do Estado. Agora deram-lhe uma Comissão para a Liberdade Religiosa. Pergunto: há alguma inibição à liberdade religiosa em Portugal ? Há um problema religioso, ou trata-se de uma manobra escondida - controleira e patrulheira - para desenterrar o cadáver fedorento do anti-clericalismo primário do Senhor Afonso Costa ? Se assim for, o Pai da Pátria de 89.000 km2 será tudo menos equidistante e independente. Eu sou agnóstico, respeitador das coisas da religião dos outros e compreendendo a genética cristã que deu corpo e razão à existência da pátria portuguesa. Ao invés, o Pai da Pátria mínima é laico, despreza a religião e considera-a um inimigo do "progresso", das "luzes" e do Estado. O Pai da Pátria soube utilizar a Igreja para lançar a contra-ofensiva nacional anti-comunista no verão de 75. Espanta-me que, com a idade do fim, repita o erro clamoroso que levou à cova a Primeira República de má memória. Portugal, gostem ou não, é um país católico. Não há, entre nós, qualquer questão religiosa que requeira intervenção, correcção e legislação. Sempre que os regimes se envolvem nestas questões, perde-se um pouco a liberdade dos cidadãos, a liberdade da sociedade e o respeito devido ao Estado. É, em suma, uma guerra estúpida.


Ragtime Dance, de Jopliniana (Advis)

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