09 agosto 2007

Uma história sem mitos


Irène de Trebert: Mademoisele Swing (1942)
Noite sem nada para fazer. De um amigo recebo emprestado o Chantons sous l'Occupation, de André Halimi, documentário que fez escândalo aquando a sua primeira exibição em 1976, com direito a bomba e manifestações de viva indignação. O motivo para tal frémito ? O facto de quase sugerir que a generalidade franceses não resistiram, mas negociaram, toleraram, sentaram-se nos mesmos cafés e restaurantes que os ocupantes, foram aos mesmos teatros e salas de cinema, fizeram-lhes fatos, venderam-lhes os melhores vinhos e queijos, convidaram alguns para suas casas, comparticiparam na roda-viva do mercado negro e das senhas de racionamento, assistiram, entre a indiferença e uma escondida segurança aos desfiles da Whermacht pelos Campos Elísios - "antes os boches que os bolcheviques" - e até acorreram em massa à última visita de Pétain à capital, em Maio de 1944. Um testemunho embaraçante para a memória do resistencialismo, do maquis e do suposto martirológio que no pós guerra fez a glória do PCF - "o partido dos 30.000 fuzilados" - e que levou De Gaulle a sentar um dos seus emissários (general Sevez) na mesa da capitulação alemã. Faz agora pleno sentido a frase que se ouviu ao alemão Jodl: "o quê, os franceses também cá estão ? "

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