04 agosto 2007

Dois anos de Combustões, agora perto do fim



Faz agora dois anos que dei início a estes postalinhos. Preferindo sempre a intensidade à duração, procurei diversificar, provocando e precipitando, a abertura de um leque temático que não reproduzisse o figurino do blogue político, certinho e previsível, com aquela cerrada coerência ideológica que a tantos agrada como um ritual a que se vai sabendo de antemão o que se vai ouvir e ler.
Como sempre prezei a minha liberdade, nunca me deixei submeter à expectativa e previsão de quantos, por vezes com infinita paciência, aqui pretendiam encontrar a resposta canónica, de forma e conteúdo, como a farda que se enverga, anula, indiferencia e normaliza, naquela adolescente tendência de muitos em fazer parte de uma tribo, de um povo em marcha, de um grupo ou pandilha. Aqui disse, com acerto ou exagero, com caricatura e muita superficialidade, o que me perpassava a alma. Passaram dois anos e, tal como nas paixões, o coração arrefeceu e o ritual impôs-se à espontaneidade.


Entretanto, um novo e apaixonante desafio coloca-se-me profissionalmente. O animador de Combustões vai abandonar o país, livrar-se de uma atmosfera que se foi putrificando a extremos dolorosos e da qual me liberto com alívio. A partida está para breve, pelo que assinalar a passagem do segundo aniversário de Combustões poderá significar o anúncio, sorridente e plácido, do passamento de uma conta-corrente que se vem arrastando há mais de setecentos dias.


Around the World (Nat King Cole)

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