10 agosto 2007

Cerimónia do chá

Recebi muitos mails de amigos desta tribuna. Não sei como responder a gestos que atribuo apenas à generosidade complacente de tantos. Não podendo responder a todos, aqui deixo os meus sinceros agradecimentos a:


Rui Fernando Santos: "Sem piedosas saudades, tanto mais que não nos conhecemos, mas certo de que este sitio mal frequentado chamado Portugal sentirá de forma irremediavel a sua ausencia, aceite cumprimentos e votos de sucesso".



Adriana Nogueira: "Li ontem o teu pré-aviso e hoje vejo que estás decidido a partir. A decisão de começar foi tua e a de acabar também. Nada mais posso fazer que felicitar-te pelo prazer que me proporcionaste ao ler as tuas opiniões, ao poder beber do teu saber".



Sandra Figueiredo: "Se sente que "o coração arrefeceu e o ritual se impôs à espontaneidade", o mesmo não poderei eu afirmar. Permita-me que lhe diga que, do lado de cá, o inverso sucedeu.Ao longo do último ano (sim, porque não tive a sorte de antes descobrir o seu blog) tornei-me uma verdadeira admiradora da forma como escreve e do conteúdo dos seus "postalinhos". (...) Apesar de me debruçar mais sobre outros assuntos e outras artes, tais como o Ambiente, a Poesia, a Pintura (aguarela) e a Música... e Português (amo língua portuguesa!), acabei por descobrir que me interessam algumas das matérias sobre as quais tão exemplarmente teoriza. Foi importante para mim. (...). Resumindo, se cumprir com o que escreveu no dia 6 de Agosto, irei sentir saudade destas Combustões. Mas como em Latim se diz "quae fuit durm pati meminisse dulce est".



Miguel Ângelo Ponto: "Só por uma vez me dirigi a si para comentar um dos seus escritos. No entanto, sempre fui um leitor atento destas suas «combustões», não obstante o muito que ideologicamente nos separa. O Miguel Castelo Branco é monárquico, eu sou republicano. É de direita, eu (acho) que sou de esquerda. No entanto, nada me seduz mais que o debate de ideias, venham elas de onde vierem. E Portugal não é, definitivamente, um bom país para isso. A «choldra», como muito bem o Eça lhe chamou, está formatada por um politicamente correcto assustador. Em lado nenhum se encontra um bom dogma, daqueles antigos, inamovíveis e que geravam discussões acaloradas, de onde sempre saía alguma luz. Agora não. Infelizmente, Portugal continua adiado. Daí que esta sua partida (da blogosfera) seja, de facto, uma perda. Como lhe disse, ao terminar de ler a maior parte dos seus textos dava por mim a pensar que não, não concordava nada com o que dizia. Mas estava lá, havia uma voz dissonante do coro das velhas que escreve nos jornais e que passeia ignorância pelas televisões. Por isso, permita-me dizer que acho que o Miguel Castelo Branco devia reconsiderar esta sua rendição. Vai para fora? Escreva de lá. Diga-nos o que vê quem está fora. Não assumindo um papel de «estrangeirado» ou coisa que o valha. Antes continuando a ser uma voz independente e livre, num país cada vez mais depressivo. Se não for essa sua vontade, só me resta desejar-lhe boa sorte."



José Pedro Leite Ribeiro: "Não me surpreende a V. partida. Pois não ides sempre, vós, Damiões, Garcias, Franciscos, Duartes, agora também Miguéis, enfim, os melhores? Por que raio é que este País insiste em atormentar os que se atrevem a pensar por si mesmos? Será assim tão ousada a natural vontade de ser livre?Desejo-vos nada menos do que toda a felicidade que se pode ter e sugiro:1. que o Combustões continue, confirmando e justificando a inexistência de fronteiras na WWW;2. que os textos aí publicados sejam passados ao nobre (sê-lo-á ainda?) suporte do papel."


Luís Serpa: "O Combustões vai fazer-me falta, mas muito mais do que pelos seus dois anos, os meus parabéns vão para o desafio profissional de que fala."



Maria Manuela Martins Gonçalves: "Há já algum tempo que tenho seguido com bastante atenção o blog “Combustões”. Deste modo, foi com tristeza que encarei o facto de as intervenções no blog estarem próximo do seu fim. Para mim, o “Combustões” foi uma lufada de ar fresco por apresentar uma postura em relação ao país e ao mundo completamente diferente daquela que aparece nos meios de comunicação social mais tradicionais. Algumas das posições assumidas foram bastante corajosas. Mas, o aspecto que mais me surpreendeu nos seus comentários foi a invulgar lucidez com que examinou a realidade nacional. Portugal é um país onde não existe da parte das nossas “elites” vontade, nem coragem para enfrentar as suas dificuldades, o que acaba por o transformar numa falsa democracia. As nossas pseudo elites sabem que poderem manter o seu estatuto necessitam de manter Portugal numa atmosfera de mediocridade. Talvez seja a mediocridade a principal razão pela qual um país com tantos séculos por vezes aparente ter poucas décadas. Esta é uma questão à qual ainda consegui obter nenhuma resposta aceitável. Num dos seus últimos comentários refere que é com alívio que abandona o país. Pessoalmente, apesar de todos os seus defeitos, continuo a amar o país. É por amar Portugal que a sua mediocridade e o seu empobrecimento me incomodam. Penso que é preciso haver quem ame Portugal para existir quem se interesse verdadeiramente pela construção de um país mais justo e mais próspero."



Este não é, creiam-me, um exercício de falsa modéstia, pois tenho-me em pequena conta para tais poses. Verifico que o país está prenhe de verdade, de liberdade e frontalidade; que os portugueses, manipulados, teledirigidos, menorizados e insultados na sua inteligência, pedem aquilo a que qualquer povo adulto tem direito. Os basabafos e comentários acima transcritos espelham-no eloquentemente.

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