19 agosto 2007

As fezes das fezes da blogosfera (...)


(...) "são como o escaravelho estercorário que só tem como objectivo fazer rebolar a sua bola de m..."
(Camilo Castelo-Branco)
A máxima aplica-se:
- ao riso canalha e escarninho dos habitantes de nauseabundos universos de lixo;
- aos invejosos e invertebrados que se escondem no valente anonimato;
- aos que vivem no espesso negrume dos esgotos sem jamais terem respirado oxigénio incontaminado;
- aos eternos repudiados pela inteligência, pelo berço e pelos braços de outrém;
- aos martirizados por complexos de inferioridade, falhados eméritos e demais espécimes entomológicas.
A blogosfera tresanda de anonimato, tendo-se transformado num quase paraíso para criaturas fantásticas que de literário têm muito pouco. É uma pena, pois as máscaras que afivelam têm, afinal, bastante maior consistência que os trémulos e suados dedos que as animam. O anónimo luta desesperadamente por um nome, mas fenece-lhe a coragem, contorcem-se-lhe as vísceras e envergonha-se de si no momento derradeiro em que a assinatura é requerida. Nesta dolorosa invenção e sublimação de uma personalidade que não pode dizer o seu nome há muitas histórias por contar, muitos dramas e cicatrizes por sarar. Compreendo que alguns - poucos, bons e íntegros - não possam, por imperativo e por defeso, revelar o seu nome sem que os velhos fantasmas lusitanos da intolerância persecutória, da vil maldadezinha e da denunciazinha canalha lhes crie amargos de boca. O país vive derrancado na maledicência.
Esta será das poucas comunidades humanas que vive quase exclusivamente dessa energia autoflageladora que retira do desconforto excruciante da mediocridade força para prosseguir para nenhures. Aqui não há "oposiociones", nem guerras civis, nem noites de S. Bartolomeu nem barricadas onde se possa trucidar, cevar e decepar o inimigo olhos-nos-olhos. Aqui também não há duelos, nem uns valentes bofetões em plena rua ou um soberano e desdenhoso cuspir-na-cara. Aqui mandam-se envelopes, riscam-se cruzes nas portas, bichana-se nos cafés. Toda a energia portuguesa tem estampado o sinete da verrina, da frustraçãozinha e do prazer solitário. Ora, o anonimato acaba por ser a serpente que morde a sua própria cauda. Definem os teóricos da literatura o anonimato como "indíviduo sem renome"; aquele que não tem nome; aquele cuja pronúncia do nome verdadeiro é igual a um não-nome, a uma não-existência ou não-reconhecimento.

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