28 julho 2007

Quatro anos não é brincadeira


O Bruno comemora quatro anos de actividade na net: uma façanha de se lhe tirar o chapéu. O Bruno tem as suas ideias, eu tenho as minhas, mas é um senhor e escreve admiravelmente, não tergiversa nem presta culto nos altares do respeitinho e do eduquês. Porém - ele com as suas ideias, eu com as minhas - nunca interrompi um texto do NF, nunca me deixei escandalizar nem experimentei um assomo de intolerância, essa intolerância dos tolerantes que recusa a inteligência herética. Aquilo que ali se vai escrevendo enriquece-me; mais, obriga-me a compreender que para além do universo que fui modelando há outras paragens povoadas pela honestidade intelectual. Não sou amigo do Bruno naquele sentido gregário com que muitas vezes equivocamos o termo. Teremos estado tête-à-tête duas ou três vezes, sempre com o inesquecível patrocínio do grande Rodrigo Emílio - quiçá das figuras mais fascinantes que conheci ao longo da vida - mas tal não me impede de por ele atestar as grandes qualidades humanas, a probidade absolutamente inquestionável, a transbordante erudição, o amor pela liberdade e uma centelha de nobreza que se sente a léguas.


A tudo isto acresce que o Bruno, um cosmopolita que não conhece as fronteiras provincianas do saloísmo, não pratica a langue de bois nem se deixa espezinhar por qualquer ideologismo estreito, trouxe para a blogosfera portuguesa uma outra pena que reverencio, mau grado dela me encontrar muito distante na expressão de alguns afectos. Trata-se de D. Rafael Castela Santos, uma tempestade que só aos mortos de espírito pode deixar indiferentes. Por tudo isso, Bruno, o meu obrigado.

Sem comentários: