18 julho 2007

Pacheco Pereira disse-o, finalmente


Ninguém queria carregar o ónus por haver sido o primeiro a carregar no gatilho. Pacheco Pereira não ponderou as consequências, não procedeu a cálculos hipócritas, tão useiros nas pequenhas manhas com que se faz e desfaz a politiquice e os politiqueiros, e disse claro: o PSD não existe, não possui nem doutrina nem arrimo, serve pequenas, médias e grandes capelinhas e encontra-se agora em avançado estado de decomposição. Aliás, esse conglomerado de homens e mulheres não é hoje nem mais nem menos daquilo que foi no passado.


Sá Carneiro foi um imenso logro. Por detrás daquele tom imperioso, do inegável carisma e de uma enorme paixão pelo mando, pouco havia de substantivo, mas era o que a direita sociológica requeria naqueles tempos em que Portugal era, até no ordenamento constitucional, um país de costas voltadas para o Ocidente. Depois, veio Cavaco: um deserto de ideias, combóios de números e falar economês fugindo à assunção das ideias e à demarcação das fronteiras. De queda em queda chegou-se a Marques Mendes, sem carisma, sem presença, sem poder e autoridade de espécie alguma, nem tão pouco para centuriar favores pelos estômagos em prolongado jejum que o amparam. É o ponto terminal de trinta anos de evasivas e errantes justificações para uma direita sociológica que nunca leu e jamais se libertou dos medos de um PREC remoto, sempre se acomodou ao culto da mediania, que se mantém hirta de medo perante os mitos da esquerda. O mal que essa "direita sociológica" fez à direita à custa de quem vive eleitoralmente é questão ainda por reflectir. Tenho para mim que o mal de que padece o CDS se encontra, não no Caldas, mas para os lados da Lapa.

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