29 julho 2007

A marques mendização da classe política


António José Seguro foi ao Diga Lá, Excelência. Como se não bastasse o título do programa - que soa a ironia de mau tom, pois ali poucas excelências aparecem e dizerem, dizem muito pouco - a entrevista foi a todos os títulos elucidativa da caquexia a que chegou o baronato que cativou a representação parlamentar.


O homem está há trinta anos na "política", nunca se lhe conheceu um emprego por conta e risco, nunca conheceu as noites longas do estudo, os exames, as provas públicas, os concursos para provisão de um lugar, uma avaliação, um objectivo. Está, é tudo, e sente-se bem, tão bem que Almeida Santos o considera um águia pronto para grandes vôos.
Eu teria vergonha. Faria uma cova de seis metros e enterrar-me-ia sem alardes. Mas não, estes homens que nunca se evidenciaram por nada, que nunca leram, nunca se lhes conheceu uma ideia, uma batalha, uma causa, governam, representam e vão enchendo curriculos que são, sem tirar nem por, um insulto à democracia. É a marques-mendização, a mediocridade que não pede desculpas, perfeitamente senhora de si. Por outras palavras, é o regime a matar-se.
Até que poderia ter alguma graça, um discurso montado sobre rábulas, uma pose, um estilo. Nada disso, as palavras de ordem são invisibilidade, banalidade e mediocridade. Se lhes juntarmos um riso parado pedindo urgente aferição de idade mental, mais as traquitanas das frases moles e um soberbo deserto de ideias, aí temos um deputado vitalício.

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