09 julho 2007

Liber de Spectaculis

A campanha que flagela Lisboa, sujando-a ainda mais, atingiu a última semana de vida. Confesso estar tão longe de todo esse crisól de paixões olissipográficas, do desespero que atira para o troitoir grandes, médios e pequenos candidatos - por sinal, quase todos pequeníssimos, com excepção de Telmo e Garcia Pereira - da catadupa de banalidades e frases-feitas com que se enche o vácuo de ideias e disfarça a mediocridade dos putativos, do lastimoso estado da esquerda, do centro e da direita para se duvidar que tais comícios consigam tirar de casa mandriões como eu. Por maior que seja a boa-vontade, a permissividade e abertura, confesso não os conseguir seguir nas errâncias de um "pensamento", de um argumento, de uma proposta; muito menos andar pelas ruas, feito tonto, de camisola de algodão e bandeira de plástico a angariar papeluchos, convencer donas-de-casa de saco aviado para o mercado, beijocar velhotas e oferecer abanicos, bóinas e outros saguates para selvagens. A politiquice tornou-se-me ainda mais indiferente que a futebolice - paixão que nunca experimentei - pelo que invejo a sorte daqueles que a ela entregam as mais nobres ficções-dirigentes ou a mais casca-grosseira cupidez. Vou votar no domingo, pois prometi que o faria. Mas fá-lo-ei absolutamente convencido da inutilidade do acto.

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