05 julho 2007

As porteiras no governo


O João não os poupa com o seu áspero knut, pelo que guardo a pólvora e a metralha para outros mastros. Contudo, neste acastelar sombrio de pulsões controleiras que se vai manifestando pelo país, importa estar sempre de atalaia. Os funcionários públicos receberam hoje ordens para declarar às chefias "outras actividades" profissionais, públicas ou privadas. Quer isto dizer que os controleiros querem uma função pública pobre, faminta, rota e maltrapilha, exposta a todos os vexames e imposições do mandarinato. A palavra de ordem será, pois: "estejam no Estado, conquanto não tenham outras fontes de receita. Queremos funcionários obedientes, resignados e agradecidos pelo caldo de talos de hortaliça que recebem em cada mês".



Amanhã receberão ordens para declarar hobbies, depois de amanhã saberão se os mujiques se encontram registados ou filiados em sindicatos, partidos, organizações cívicas e agremiações religiosas. Talvez um dia lhes seja pedida a relação dos telefonemas feitos e recebidos, lhes seja dada ordem para declarar todos os aspectos referentes à vida familiar, sentimental e amorosa e, se tudo progredir em eficiência, o governo exija uma declaração da junta de freguesia e do comité de bairro atestado de bom comportamento. A coisa cresce em parada. O porteirismo apossou-se do governo.

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