08 julho 2007

Aquilo que aconteceu à Sita Valles foi o que aconteceu à dissidência em qualquer parte do mundo. Foi tão chocante e brutal... Ela estava grávida, foi violada e torturada, deixou um filho sem pai nem mãe. Mas não provocou nenhum frisson no PCP. Falei disso com o dr. Cunhal e logo a seguir ele publicou no Avante! uma nota a dizer que tinha sido "para pôr ordem na casa". Era assim...

Zita Seabra faz as contas à memória

Finalmente, o comunismo à portuguesa franqueia as portas à memória e debita a conta-corrente dos mistérios que envolvem esse que é o mais incensado, propagandeado e indiscutido mito português da segunda metade do século XX. Um retrato fiel ao modelo: Cunhal déspota, um ser privado de respeito pelas pessoas, indiferente à dor, tirânico, denunciante, até, de toda a manifestação de personalidade autónoma, bulímico de adulação, falsamente humilde e paternalista perante a servidão e implacável na destruição de qualquer vestígio de consciência crítica. Em suma, como dizia Homem Cristo (Pai), era "um pulha de bem". Depois de Pacheco Pereira, Cândida Ventura e Zita Seabra não há, decididamente, lugar para comunistas românticos.



Shulzhenko (193-)

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