01 junho 2007

Medinho e União Nacional

Estava à mesa com um grupo de conhecidos. Confesso que "engrupar" não faz parte da minha natureza bisonha, associal, a-convivial e meditabunda. Prefiro ouvir pouco, falar pouco e disparar à queima-roupa sempre que daí retirar esse prazer quase erótico em estragar convenções, valores postiços e poses. Daí que me detestem os esquerdistas, me odeiem os direitistas de glosas e poucas letras, me olhem estarrecidos os amantes das grilhetas e dos cintos de castidade. Os três colegas com quem tomava a aguadilha acafezada comentavam, com aquela "simpatia portuguesa" - já o Padre António Vieira a tomava como o maior defeito de carácter dos portugueses - que o ministro Y era de uma simpatia rara, que o secretário de estado X um homem notável, o sub-secretário-adjunto-auxiliar Z um brilhante cérebro. Ouvi, ouvi e depois lancei os nebelwerfer - uma variante dos Orgãos de Estaline, mas mais devastadores e certeiros - o que pensava de X, Y e Z. O efeito foi imediato. Levantaram-se, correram como assustados em todas as direcções e deixaram-me ali, com a aguadilha morna, a sorrir de tão boa malvadez. As pessoas estão assim: com um medo de acentuada cor rosa (rosa, da União Nacional) e já nem pesnanejam. Estão, todos, apavorados com a ideia que uma putativa directora das DREN's - e há milhares por aí à solta - lhes deixe cair sobre a cabeça a lâmina do processo e os amortalhe na folha de papel azul. Os portugueses estão, todos, na União Nacional. Medinho e respeitinho.

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