14 junho 2007

Leves leituras escapistas: no tempo dos hussardos das núvens


Terá sido, quiçá, o que restou da defunta ética da cavalaria: Richthofen, Mermoz, Lindebergh, Gago Coutinho, Sarmento Beires, Malraux, Balbo e Hanna Reitsch sempre me fascinaram. Alguns destes heróis alados deixaram memórias e descrições de viagens que desafiam a melhor ficção e a melhor literatura sapiencial. Ao franquearem os portais das núvens, numa aliança entre a tecnologia de incerta fiabilidade e a coragem, deixaram, decididamente, as estreitas convenções terrestres. As mudanças que o elemento ar opera têm velho historial na vida espiritual da humanidade. A transfiguração que experimentaram decorre da ausência de gravidade, estado por excelência que leva ao cadinho da libertação interna. Alguns, como Reitsch, que fora a coqueluche de Hitler, até operaram mudanças só possíveis nos píncaros dos templos lamaístas. Reitsch converteu-se em paladina da negritude, tendo deixado belísimas páginas de memórias sobre a sua relação com Kwame Nkrumah.


Fliegermarsch

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