13 junho 2007

Lóbi anti-Ota

Tenho pelo Eduardo Pitta grande simpatia e admiração, porquanto alia três predicados que assinalo, por ordem crescente, como garantias de credibilidade: não tem máscaras, é culto e faz parte da minha tribo africana portuguesa. Não compreendo, por mais voltas que dê aos textos que o Da Literatura vem publicando, o motivo do incondicional apoio à construção do aeroporto na Ota. Eu, Eduardo, tenho dúvidas, não as de engenharia - pois também não sou engenheiro - mas de natureza bem diversa. Não quero, tanto é o palavrório, tantas as insinuações, que o Estado e o povo paguem um aeroporto que esconde, afinal, sórdidos interesses aspirando a reparações e indemnizações fundiárias dignas de Midas; por sinal, reparações que garantirão fortuna imensa acrescida a essa mesma gente - das mais corruptas de que há memória deste o Duque D'Ávila - que chegou a extremos de deter em simultâneo cargos de decisão . Isto chegou a tal ponto que foi necessário um ultimato dos maiores contribuintes deste país - os patrões - para serenar o dito lóbi mafioso que há muito parece viciado na impunidade, afogado em prebendas e isenções fiscais, dopado em subsídios para actividades cuja utilidade ainda ninguém lobrigou. O regime não é de ninguém, o interesse público é de todos: Ota, não obrigado ! Depois queixem-se da desafectação da população face aos políticos, do colapso do civismo e da "conversa de taxista".

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