28 maio 2007

Zapatero: um frouxo com assomos de energia

Dizia-me um espanhol na passada semana que os socialistas ibéricos têm o condão de criar inutilmente problemas e inimigos. Foi graças aos socialistas que a deriva terrorista se instalou na II República, levando ao pronunciamento de Franco; foi graças aos socialistas que o PCE se apossou do poder e impediu qualquer solução negociada no quadro da guerra civil.


Depois da reforma e da transição, com Gonzalez e o seu câmbio, foi graças aos socialistas que o Estado espanhol se deixou partidarizar a extremos de impunidade e corrupção sul-americanas. A tendência para o disparate é, entre os socialistas espanhóis, um dado genético. Foi graças a Zapatero que a Espanha perdeu a oportunidade de ouro para entrar no clube das potências políticas ocidentais: mandou retirar as tropas do Iraque, persistiu no apoio a Castro e esboçou simpatia por Chávez e Evo Morales.


Se no plano externo Zapatero se mostrou de incomparável inabilidade, internamente dedicou-se a reabrir feridas há muito saradas. Zapatero é, indiscutivelmente, um frouxo com assomos de afirmação compensatória e isso paga-se. Hostilizar a Igreja, provocar a classe média nascida sob o franquismo, menosprezar a Coroa e desconsiderar as Forças Armadas são constantes na sua linha de actuação. Os espanhóis são ricos e onde há riqueza a obsessão ideológica não colhe simpatias, mas hostilidade. A derrota que Zapatero colheu ontem foi as dois títulos justa: o PSOE não merecia governar o país, pois foi o PP que deu a Espanha uma década de crescimento com taxas verdadeiramente asiáticas; o PSOE funciona como um inimigo da ordem social, maquinando e desencadeando conflitos que jamais deflagrariam se não fosse a vis assomadiça do seu secretário-geral, um traumatizado social que quer reescrever a história dos últimos 70 anos. Para bem da estabilidade ibérica, esperemos que nas próximas eleições gerais o PP regresse ao poder.

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