15 maio 2007

Varsóvia em Luanda

Trata-se, quiçá, juntamente com o regime do Homo Mugabensis, de uma das mais sórdidas expressões de brutalidade, venalidade e incompetência de que há registo no mundo contemporâneo. Falo, é claro, dessa brilhante cleptocracia que dá pelo nome de República de Angola, propriedade de Eduardo dos Santos e capangas. O despejo inopinado de 30.000 pessoas repete análogo feito ocorrido há dois anos no Zimbabwe: tropa de choque irrompendo pelos bairros de caniço, violência indiscriminada, os mesmos 20 minutos que o general Stroop dava aos desgraçados do ghetto de Varsóvia antes de lançar os mastins e os kapos ucranianos, bastonadas e espancamentos, pessoas esmagadas no tropel da fuga, crianças separadas dos pais, idosos atirados como gado para camiões, tiros de intimidação. Aqui das Necessidades, nem um piu. O que dizer ? Nada, trata-se de assunto interno de um país-irmão. Ao que chegámos: por uns centos de botas em segunda mão e uns barris de vinho a martelo exportados desaparece-nos a dignidade e fingimos que nada vemos. Somos uns hipócritas.

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