06 maio 2007

Triunfo da Maioria Silenciosa: fim da Mise en Scène suicida


Finalmente, a cultura do Maio de 68 acaba de morrer pelo voto em Sarkozy. Tardou, mas aconteceu. Finalmente, os rodriguinhos, o redondismo dos floreados e o vão rocaille, o autismo, o estatismo, a falsa solidariedade e toda a ganga de boas intenções com resultados catastróficos - na economia, nas finanças, na educação, na imigração, na política externa - cairam por terra. Nos momentos de transe extremo, as nações exprimem-se contra as convenções e as delicadezas. Nos momentos em que se decide o importante, os fracos regimes entregam ao povo o veredicto de fazer história.
Do triunfo de Sarkozy, aqui muito estimado, retiramos três ensinamentos:


1) Derrotados o imobilismo e o poder político e cultural das esquerdas. A França mudou com tal rapidez que os detentores do poder e aqueles que a haviam endoutrinado durante quarenta anos não conseguiram reagir. Aliás, neste particular, os interesses votaram à esquerda, as ideias à direita.


2) Derrotados o extremismo e o populismo.Sarkozy eclipsou ou feriu com gravidade extrema a "direita fora do sistema". O homem que um dia destronou o populista Charles Pasqua - cujo discurso era, no mínimo, ordinário - retirou à FN a última possibilidade na cena política francesa. As forças anti-sistema têm uma função quando não há energia, sonho e projecto; não cabem quando a razão e o bom-senso prevalecem.


3) Triunfo da Europa e do Ocidente. Acabou a França amiga de todos os ditadores ubuescos, a França carregada de complexos de superioridade, expressa pela exaltação de diferenças etnográficas, a França incapaz de se identificar, mas sempre aberta aos fumos do fanatismo, a França isolada e patética que perdeu, fatia a fatia, o outrora protagonismo mundial.

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