09 maio 2007

Política e polícia

Terceira noite de violência nas ruas de Paris. Quem a estimula, quem se sente ameaçado pela decisão do povo francês ? Anémicos comentários do aparelho socialista derrotado, com assunção fingida de autoridade sobre os energúmenos e díscolos da banlieue, agora engrossados pela vagabundagem e pelos goliardos que ao longo dos últimos anos se impuseram aos passeios, de schnaps na mão, cobrando o tributo revolucionário por uma "arte" que ninguém quer. Amanhã estarão, decerto, as ONG's e todos os desinteressados sociólogos, assistentes sociais e demais beneficiários do subsidiarismo ameaçado. A um dia de regressar a Paris, desembarcado do "iate milionário" - como se Mitterrand e açafatas tivessem passado anos em canoas e tendas de campismo - dir-se-ia que, para o acolher, os derrotados nas urnas preparam um verdadeiro exército de tricotadeiras, jornaleiros, pés-rapados e demais peonagem para lhe negar o acesso à capital. Em 1962, De Gaulle voou de Paris para uma base militar e quase ordenou a intervenção dos tanques. Hoje, se tal acontecesse, seria uma revolução. O Estado perdeu autoridade, os seus servidores são homens de facção, a sociedade civil encontra-se presa de uma abulia suicida. É agora que se vai revelar, no gume da navalha, o sangue frio de Sarkozy. Conta com a Maioria Silenciosa, mas conta certamente com a polícia. Que a polícia aguente na rua aquilo que a Maioria Silenciosa decidiu nas urnas. Se a oposição não faz política, que a faça a polícia.

Sem comentários: