08 maio 2007

O debate do café

Esperei ontem pelo debate na RTP-1. Prometia-se bom espectáculo. Afinal, reproduziram-se ali conversas típicas de cafés lisboetas: Adriano Moreira fez as galas ao reportório da sala de almoços da Sociedade de Geografia, entre uma tarte de natas e um cálice de Porto; Miguel Portas mimetizou as graçolas do Café Roma, entre o queque e gin tónico; Mário Soares levou os sons da Ginginha e Rangel - ah, como esperei por ele e me desiludi tremendamente - não passou da conversa-conserva da Mexicana. Um temor reverencial perante a magna ignorância de Soares, que mantém intocado o chocarreiro atrevimento de falar sobre tudo e sobre nada, um apagar da chama de Adriano Moreira, que se resignou viver no seu mundo perdido ainda bafejado por bem-aventuranças e uma inexplicável demissão de Rangel.
Isto é realmente um palco de amadores. Em que país europeu se dá voz - e pastas ministeriais, mais a de primeiro-ministro, mais a chefia de Estado - a um homem que, ao discutir-se a Europa, ouvindo de Adriano uma referência a Coudenhove-Kalergi, se volta para o bijagós à sua esquerda e pergunta: "de quem ? quem ? nunca ouvi falar". A conversa de café, o respeitinho e toda a mediocridade que nos imerge tem destas coisas: fazer com que tolos e sábios se sentem como iguais ao café. Mais grave ainda é o de fazer crer que tudo o que dizem tem valor igual. Maldita igualdade, como te detesto !

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