30 maio 2007

Novas do Sião


Recebi-o das mãos do Padre Surachai, sacerdote católico tailandês cujos trabalhos historiográficos sobre a recepção do cristianismo no Sião destacam o relevante papel desempenhado pelos missionários portugueses de Quinhentos e Seiscentos, bem como a não menos importante acção de intermediação cultural desenvolvida pela comunidade "portuguet" - luso-descendentes - na vida desse Estado do Sudeste-Asiático.


A foto que reproduzo integra uma obra agora publicada em Banguecoque pelo Ministério da Cultura daquele país versando os quinhentos anos de ininterruptas relações amistosas existentes desde 1511 entre Portugal e a Tailândia. Tenho ido com frequência a Banguecoque a convite das autoridades locais ou em representação de Portugal para participar em jornadas luso-tailandesas, pelo que encontrar numa obra tailandesa 40 páginas sobre as minhas andanças me encheu de contentamento.


Portugal tem ali muitos e bons amigos, mas infelizmente não tem sabido explorar esse raro capital de prestígio que, de tão importante, poderia garantir excelentes trocas comerciais e investimentos portugueses na quinta maior economia asiática. Tenho lutado, com teimosia quase solitária pela preparação condigna do meio milénio destas relações, que passará em 2011. O desinteresse das nossas autoridades é tão pesado quanto a desinformação, a ignorância ou essa miopia que vai, ano após ano, reduzindo a nossa visão do mundo ao curto horizonte da res europeia, dos Palops e dos investimentos cervejeiros no Brasil. As excepções contam-se pelos dedos, tendo à cabeça o Professor António Vasconcelos de Saldanha, que desenvolve intensa actividade de permuta académica com os investigadores tailandeses. É uma pena, um terrível erro este das nossas autoridades. As oportunidades, ou se agarram, ou passam para outras mãos. Dentro de anos, com a rapidez com que mudam as sociedades, de nós nada restará no antigo Reino de Sião.

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