20 maio 2007

Cegueira ocidental


Não compreendo o que querem a União Europeia e os EUA desta cruzada contra Putin. Persistir em insultar e humilhar a Rússia - que perdeu 1/3 da superfície europeia, regredindo a fronteiras do século XVIII - é erro tremendo que será pago em dolorosas prestações. A Rússia nunca esteve tão próxima da Europa; abriu mão do velho pan-eslavismo, enterrou o panzer bolchevismo, transformou-se no maior credor dos ocidentais, mas estes exigem mais cedências. Não obstante o coro [estudadíssimo] de protestos, nunca os russos foram tão livres, tão seguros, tão ricos e confiáveis como hoje. Pela primeira vez desde 1814, não foram os russos a entrar-nos porta adentro, mas os ocidentais a instalar-se nas cercanias do Kremlin. Se lhes recusamos um banal nacionalismo - tisana psicológica para um império recém desfeito - talvez venhamos a colher, em nova moldura, esse chauvinismo comum aos grandes povos caídos em desgraça, olhados com desprezo e revoltados pela insensibilidade vindicativa daqueles que os cercam. Duvido que a pressão europeia tenha algum efeito benéfico; ao invés, uma vez mais, como aconteceu no século XIX, os russos sentir-se-ão estranhos ao corpo de uma civilização que não os quer como aliados, preferindo tê-los como inimigos.

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