19 maio 2007

"Cambra escura"


Na corrida à "Cambra" de Lisboa parece haver um braço de ferro para apresentar o maior número possível de repelentes à participação do corpo eleitoral. Olho para os candidatos e confesso ali não encontrar um só fácies convidativo; são todos repetentes, trepetentes estafadíssimos, gastos como as pedras da calçada, desengonçados e cativantes como um prato de batatas fritas enregeladas cobertas de molho de peixe crú. Pergunto-me se não há melhor ou se a actividade política terá chegado ao grau zero da respeitabilidade, só mobilizando os restos frios e o bolor.
Assusta-me que partidos e respectivas lideranças não tomem consciência do plano inclinado em que caiu a actividade política aos olhos do povo comum. Em 1925, antes do advento da ditadura, já só votavam 20% dos inscritos nos cadernos, tamanho era o desinteresse por esses rostos de queixadas largas e olhar de robalo congelado que enchem paredes sempre que abrem a concurso lugares na governança. Assim não dá !

Sem comentários: